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 Valeriu Mihaela

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Lohanne
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Yan Yuriev - Vampiro Puro Sangue

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MensagemAssunto: Valeriu Mihaela   Dom 20 Dez 2015 - 11:29







Criados andavam de um lado para a outro pelos corredores, as compras de móveis, os objetos de decoração, pintores e decoradores enchiam a casa da família Yuriev de humanos. Humanos que sequer sabiam o perigo que corriam ali dentro.

Yuriev estava sentado ao lado de Ruri sobre um divã branco de madeira dourada e lustrosa, ambos observavam Selene com o pequeno bebê Kuran no braço. Yan despejou um olhar quase carinhoso sobre Ruri, ao perceber a barriga já proeminente da irmã. Aquele era um desejo de Eleazar e Yan estava mais do satisfeito em cunpri-lo. Sabiam que dentro de mais alguns meses, talvez um ano, o herdeiro Yuriev nasceria e algo lhe dizia que seria um menino. Yan havia até mesmo escolhido o nome do pequeno: Renan Yuriev.

O nome agradara Eleazar e fora amplamente aprovado por todos os clãs que estavam presentes no momento do anúncio.

Ruri agora era guardada por diversos lacaios, não que fosse necessário, pois Yan conhecia bem as capacidades da irmã, muito além da suas, mas ele queria, de uma estranha forma, participar daquilo.

Aquele sabor de paternidade havia despertado alguma coisa dentro dele que ele ainda não conseguia descrever. Talvez seu passado doloroso tivesse deixado uma lição, ou talvez não, afinal, Yuriev bem sabia que Eleazar tomaria a educação de seu herdeiro tão logo ele nascesse, por isso era importante tudo o que estava fazendo.

Ruri, ao contrário dele, ainda não parecia despertar ao que estava prestes a lhe acontecer. Parecia tão ou mais ausente do que Selena era habitualmente, mas Yan sabia que, apesar dos laços de sangue, mãe e filha não compartilhavam da mesma loucura.

Se bem que, assim que Katsuya Kuran fora trazido, Selena parecia ter saído de seu mundinho isolado. Ela imediatamente dera ordens e ordens e Eleazar sequer ousara questioná-la.

Agora um quarto inteiro era montato enquanto Selena se divertia com seu boneco vivo, os olhos cinzas da vampira anciã com um brilho renovado que chegava a assustar. Ela até mesmo ordenara que a criança fosse servida de sangue nobre o que dera a Yuriev uma excelente ideia.

Victor e Leila Mihaela sequer suspeitaram quando a luxuosa limusine de Yan parara em frente a residência deles, afinal, Stelian era um dos espiões de Yuriev e talvez ele quisesse tratar de negócios.

A família Mihaela tinha boa influência na corte, mas eram obcecados por poder e Yan farejara isso quase que imediatamente ao conhecê-los.

A questão é que tudo tinha um preço e sim, Yan ia lhes dar o que fora prometido, mas agora era o momento de mostrar lealdade.

A proposta era simples: Victor deveria dar seu sangue para o pequeno Katsuya, em troca disso, Leina, a irmã mais nova de Stelian, seria casada com Yoran Razvan, um vampiro nobre de um clã de puro sangue norueguês. Afinal, não era isso o que eles queriam?

Yan sinceramente não entendeu quando Victor reagiu de forma negativa a sua proposta. Nâo havia sido um pedido, havia sido uma ordem, uma cobrança pelo prestígio que a família dele teria.

A reação de Victor, suas palavras agressivas, a histeria de Leila, tudo aquilo parecia incômodo demais e precisava ser calado. As coisas seriam feitas conforme seu desejo.

Ao seu lado, Ruri ergueu apenas uma mão e logo Victor estava envolto em sombras, sufocado e impossibilitado de se mover, seus sentidos sendo apagados pouco a pouco.

Leila tentou fugir, o telefone tocou e a vampira nobre correu até ele. Yan lhe deu tempo suficiente para tirar o aparelho do gancho, antes de lhe acertar com sua bengala de prata e mármore, praticamente abrindo o crânio da nobre.

Ela caiu, mas ainda havia consciência naquele corpo. Yan a assistiu se rastejar mais e mais, os dedos descoordenados ainda tentavam alcançar o fone caído, os lábios distorcidos murmuravam alguma coisa.

Yan deu um pequeno chute n aparelho, afastando-o da mão da vampira e então se abaixou ao lado dela.

Fazia tempo que não se alimentava de um nobre, afinal, seu pai lhe pedia ordem na corte. Ele a pegou pelos cabelos platinados e a ergueu, sua língua passando pelas faixas de sangue daquele rosto agora deformado.

Ele sorveu longos goles e então se aproximou de Ruri, que permanecia sentada numa poltrona, as mãos agora sobre o colo, olhando para o vampiro desacordado.

Delicadamente, Yan ajoelhou-se diante dela e lhe ofertou a vampira, afinal, Ruri precisava se alimentar bem mais do que ele.

-Mic sora… por favor - ele depositou o corpo sobre o colo dela, seus dedos manchados de sangue acariciando sua face de mármore enquanto ele a observava faminta sugar daquele corpo.

-Você é tão perfeita - ele deixou escapar em um sussurro - Nosso filho sera perfeito, assim como nosso pai deseja - ele se ergueu, ainda afagando o rosto dela, observando Ruri sugar e sugar, até que toda a vida do cadáver se esvaiu e ele virou cinzas.

A vampira se ergue, alguns lacaios entraram na sala e pegaram o corpo, carregando até a limusine.

Yan deu o braço para Ruri e a ajudou limpar as cinzas debelo vestido preto e vermelho, ambos voltando à lumisine.

Ao chegarem em casa, Victor fora entregue a Selena. Ela preparou todo ritual para que Katsuya recebesse o sangue nobre e se tornasse também um. Em seguida, trancada com Ruri, Selena fez o ritual secreto do clã, com o pequeno, tirando seu coração do peito e guardando-o em uma caixa de madeira.

A criança ficara adormecida por dias, os exatos dias em que Ruri e Selene ficaram foram do castelo, indo guardar o precioso orgão do pequeno no que eles chamavam de gelo eterno.

Quando finalmente acordou, o pequeno tinha seus cabelos negros totalmente platinados e seus olhos cinzas. Desde esse dia, Selena não desgrudara do pequeno um segundo sequer.

-Tera um novo nome - ela anunciou para o casal sentado no divã branco - Será agora Valeriu e herdara o nome de seu sangue Mihaela - ela então abraçou ao bebê que permanecia plácido em seus braços, pouco lembrando a criança agitada e chorosa de dias atrás.

Yan assentiu, seguido por Ruri e ambos trocaram um breve olhar. Eleazar aprovaria aquilo? De qualquer forma, aquele bebê ainda era um Kuran e Yan ainda tinha uma missão a cumprir.

Afagando com uma das mãos a mão de Ruri, ele pegou o celular do bolso e discou alguns números, esperando a conhecida voz de Tohru lhe atender.

A voz trazia ainda mais tristeza do que ele se recordava e ele teria se compadecido, caso houvesse compaixão em sua alma, mas, não existia.

-Senhorita Kuran, espero que esteja melhor -  a voz dele era calma e baixa, como sempre - Gostaria de dizer que não se preocupe com seu pequeno Katsuya, ele agora está realmente seguro e não com humanos - ele lhe deu tempo para entender aquilo.

-Em breve irei até Ambarantis para pedir oficialmente sua mão para Loran, espero que tenha um sorriso no rosto quando me disser sim, ou então se pequeno herdeiro não vivera outro amanhã - ele aguardou a resposta dela, um sorriso sádico brincando em seu rosto.









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MensagemAssunto: Re: Valeriu Mihaela   Dom 20 Dez 2015 - 19:31

Os dias se arrastavam cinzentos e tristes...Tohru era cuidada e mimada por todos que se desdobravam em cuidados com ela a pedido de seu tio Loran, que era o mais preocupado com seu estado. Não era pra menos...Se já quase morrera com o irrefletido ataque de Marshall, seu estado piorara sensivelmente com a descoberta do sequestro de seu amado Katsuya...Não sabia como não havia perdido o bebê que esperava...Os médicos lhe recomendaram repouso absoluto e ausência de emoções fortes...Ela sentia seu coração em pedaços...Primeiro perdera seu primeiro amor e agora o primeiro fruto dele lhe era roubado...Ela sabia quem havia sido...Só não tinha forças para dizer e tinha medo...Ele queria algo e logo saberia o que...foi quando naquela noite quando conseguira se levantar e ir até à sacada observar a noite fria lá fora, o telefone tocou. Era ele. Não sabia como, mas sabia quem era...

Citação :
-Senhorita Kuran, espero que esteja melhor -  a voz dele era calma e baixa, como sempre - Gostaria de dizer que não se preocupe com seu pequeno Katsuya, ele agora está realmente seguro e não com humanos - ele lhe deu tempo para entender aquilo.

- Y-Yuriev...- sua voz saiu estrangulada e trêmula. Sua mão tremeu e não largou o fone por pouco. Sentiu a vista escurecer por instantes e logo duas criadas mais a Rose foram até ela, mas ela se firmou sozinha e Yuriev pôde ouvir Tohru dizer que estava bem e pedir para ficar sozinha, a hesitação de suas acompanhantes e finalmente o silêncio apenas cortado pela respiração ofegante da jovem Kuran.


Com a cabeça abaixada, a franja cobria-lhe os olhos, mas não ocultava as lágrimas que corriam, silenciosas, até que ele pôde ouvi-la cantar; a princípio, baixinho, depois vibrante num crescente pleno de uma intensidade surpreendente pra alguém tão plácida.






-"The tears I might have shed for your dark fate,
Grow cold and turn to tears of hate"


- Se estou melhor?!- A voz dela tremia, as mãos pequeninas crispadas com tanta força que os nós dos dedos estavam brancos.-  Eu perdi o amor da minha vida depois uma noite perfeita que se transformou num pesadelo graças a você ou seja quem tenha me mandado aquele e-mail...Marshal ainda me acusou de ser a culpada de tudo e até de ter sentimentos por você!...- ela hesitou.- ...E ele estava certo...De certa forma, mas agora...Como...como pôde, Yuriev? Meu bebê...Assim que acordei, recuperada de ferimentos terríveis, ia mandar buscá-lo, mas então soube... E quase perdi o bebê que carrego em meu ventre...Sim, estou grávida novamente dele...Mas você já deve saber disso, não é mesmo? Doshite...Por que?! O que ainda quer de mim?- ela falou, entre desesperada e furiosa 



Citação :
Em breve irei até Ambarantis para pedir oficialmente sua mão para Loran, espero que tenha um sorriso no rosto quando me disser sim, ou então se pequeno herdeiro não vivera outro amanhã - ele aguardou a resposta dela, um sorriso sádico brincando em seu rosto.

Silêncio.


- É isso...Mas...Então...há rumores...Que sua irmã Ruri e você...Ah, entendo...Sou uma Kuran...Por isso você me quer...


Novo silêncio. Tohru rememorava o sonho que tivera. Maktub...Estava escrito...Não havia o que fazer...Ao menos até que ela descobrisse como quebrar aquela maldição e para isso, precisava ganhar tempo...


- Muito bem...- disse num fio de voz. A sala recomeçou a girar, mas Tohru se forçou a permanecer consciente até poder dizer tudo.- Você venceu,Yuriev...Yan...- ela usou o primeiro nome dele, pela primeira vez, lembrando o príncipe de outrora, que desgraçara sua vida há tantos séculos.- serei sua esposa...Não machuque o meu filho...

Ouviu ainda até a ligação ser encerrada.
Então  desmaiou.


               Tohru e Kyoshiro
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MensagemAssunto: Re: Valeriu Mihaela   Ter 22 Dez 2015 - 20:47

Com um mau pressentimento, Rose,  ficara por perto e preocupada com o silêncio no quarto, resolveu entrar.
- Senhorita Kuran? Está tudo bem? Quem...Tohru!!  - olhou em volta, procurando pela jovem Kuran e se assustou ao vê-la caída no chão, desacordada.

Preocupada com seu estado, foi até ela e a ajudou a ir até a cama. Tohru parecia apática e distante e não deu maiores esclarecimentos sobre o misterioso telefonema que tanto a abalara.

Deixando-a confortável, foi até onde estavam as criadas e pediu que uma trouxesse sangue para a princesa e a uma outra que avisasse ao tio dela, voltando depois para junto da jovem.


"Eles vêm primeiro."
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Lohanne
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MensagemAssunto: Re: Valeriu Mihaela   Qui 31 Dez 2015 - 10:42






Sentado atrás de uma riquíssima mesa de madeira escura, em uma bela cadeira de espaldar alto e veludo creme com pequenas flores bordadas Yan tinha uma caneta de prata incrustada de rubis nas mãos, sua caligrafia perfeita sendo desenhada em um belo papel cartão.

Ao lado havia um envelope branco com um endereço em Ambarantis e uma passagem de primeira classe no nome de Tohru Kuran. Em frente a mesa, Selena estava sentada sobre o tapeta felpudo, creme claro, sobre um chão de mármore claro com veio dourados.

Ruri também estava ali, sentada em um divã com um notebook a frente, parecia entretida em algum tipo de leitura, possivelmente algo sobre seus antepassados. Ruri gostava de ter em mente a história do clã.

Katsuya ou Valeriu como Selena o chamava, estava perto de Selena, de seus pequenos dedinhos floquinhos de neve se formava e dançavam no ar, até desaparecerem sobre o tapete. Desde que ingerira o sangue do Mihaela, Valeriu havia se tornado calmo, uma criança agora ligada pelos laços de sangue entre os clãs romenos e os dominantes Yuriev.

A cada dia, Selena o instigava a descobrir seus poderes e passava o tempo todo com ele, onde quer que estivesse. Havia até mesmo dispensado alguma das criadas que Yan havia designado a cuidar do pequeno.

Eleazar, o patriarca do clã, havia viajado para Lituânia com Denis e suas irmãs, era preciso dominar aquela região novamente e coloca-la nas mãos do clã Kalladori. Eles iriam desafiar um novo clã que havia chegado, da China e provar que Eleazar e Denis eram os donos daquele território.

Alguns nobres e outros puros seguiram com a comitiva, tornando Yan o mais poderoso vampiro, após Selena, no território romeno.
Tendo em vista esta responsabilidade, ele resolvera adiantar um pouco de seus planos, assim poderia ter maior controle de toda a situação quando retornase a Ambarantis.

“Senhorita Kuran,
Tenho a informação de fonte segura que esta com sua saúde restabelecida, o que muito me alegra.

Trago com este carta saudações de minha família e de seu pequeno Katsuya, agora batizado como Valeriu por minha mãe. Sua criança tem se mostrado habilidosa e minha nobre mãe tem bastante apreço por ela, então não se preocupe em demasia com ele.

Envio-te também uma passagem para que venha visita-lo e para que tratemos de nosso compromisso. Soube que em breve as aulas retornarão na Academia e eu gostaria de formalizar este nosso acordo o mais breve possível. Tempos difíceis virão nobre senhorita e é meu dever protegê-la no seio de um clã forte.

Bem sabes o que teu clã passa neste momento e a revolta que tem causado dentre os demais clãs. Tenho também uma proveitosa aliança a teu tio, mas isso sera conversado em outro momento.

Rogo então que venha até mim, venha conhecer teu novo lar e tua nova família. Informe a seu tio onde estará, não há problemas e conte a ele sobre seus nobres sentimentos por mim. Seja convincente ao cantar estas palavras nos ouvidos dele pequeno rouxinol ou aprendera mais cedo do que necessário que, em nosso mundo, as máscaras devem ser mantidas a qualquer preço.

Não vou me delongar, trataremos de outros assuntos quando estiver em meus domínios. Apenas você é minha convidada, tenha isto em mente ao embarcar.
Com os mais sinceros sentimentos,
Yan Yuriev”


Ele então colocou cuidadosamente o papel de carta e a passagem dentro do envelope. Um criado que estava parado próximo à parede, tão imóvel que mal podia ser notado, veio até ele e tomou o envelope, saindo da sala em seguida.

Yan se encostou na cadeira, seus olhos agora fixos em alguns papéis que ainda restavam ali. Eram cartas e mais cartas de alguns clãs que, acima de tudo, queriam jurar a ele e sua família lealdade. Teria que responder cada uma e não havia ninguém mais a fazer isso em seu lugar.

Ele suspirou e colocou-se naquela tarefa entendiante, mas seus olhos moviam-se vezes ou outra para a figura perfeita de sua irmã, que parecia cada dia mais bela e mortal devido a seu estado.

Ele podia sentir a aura do bebê dentro de seu ventre, uma mente e um corpo praticamente formados, vezes ou outras podia sentir os pensamentos daquele pequeno, desconexos e sem sentido, mas ainda assim mostrando o fruto da perfeição daquela união.

Mas aqueles pensamentos sempre lhe traziam mais, lhe traziam outras recordações, lhe traziam gostos agridoces.

Em meio a toda dor, Ruri fora sua redenção, uma lanterna em meio a escuridão da loucura que se apossava dele aos poucos. Envolvido em luto e amor por um cadáver humano, destruído pelas atitudes de Eleazar, Yan tivera em Ruri sua tábua de salvação.

Ele suspirou novamente e ela pareceu perceber que havia algo de errado com seu irmão, olhando-o por um instante, naquela expressão neutra e quase vazia. Yan a encarou de volta por alguns segundos, seus olhos tentando compreender o que se passava na mente dela, mas nada lhe vinha e de repente ele se sentiu inseguro.

Era estranho tudo o que aquela nova sensação lhe despertava e ele temia que, assim como o amor que um dia sentira, Eleazar também quisesse lhe roubar aquilo. Aquele sentimento tão leve como uma pluma, tão frágil a ser destruído também.

Ele desviou o olhar e tornou a escrever suas respostas, sua mente agora vagando para Ambarantis. Havia mais um ponto frágil, quebrado e destruído ali e algo dentro dele se compadeceu.

“Há almas que não devem encontrar felicidade, pois tudo o que tocam destroem senhorita Kuran. Somos assim, escolhemos e tocamos e destruímos. Será uma união proveitosa afinal, pois eu jamais poderei amar você e você jamais poderá me amar. Talvez assim, nós não seremos capazes de nos destruir”

Ele então suspirou. Suas falhas pareciam pesar a cada dia mais, havia quase perdido Ruri, havia perdido Elizabeth e agora a sombra de Lewis Murdock parecia pairar sobre ele novamente.

Tivera notícias de que uma caçadora quase o matara, mas ele não queria que outra pessoa fizesse, ele queria ter aquele sangue em suas mãos, sempre, a cada nova vida.

Ele olhou para as pontas dos dedos pálidas em volta da caneta, seus dedos frios pareciam esperar as palavras a serem escritas.

“Não há tempo para divagações” - ele pensou, pondo-se a responder as cartas novamente.






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Tohru Kuran
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MensagemAssunto: Re: Valeriu Mihaela   Sex 1 Jan 2016 - 15:58

Distraída, Tohru arrumava, com a ajuda de Rose,uma pequena mala para a viagem até a casa dos Kristans , a família adotiva de seu tio Loran. Ficou contente por poder voltar, ainda que brevemente ao Japão, onde nascera e passara sua infância. Quem sabe até pudesse visitar os Sohma, sua família humana, também. 
Sua mente estava longe, sem prestar muita atenção à tagarelice de sua guardiã. Não conseguia tirar aquele telefonema da cabeça...Ela sempre esteve certa, afinal...Yuriev jamais a deixaria em paz. Ele iria buscá-la...E apesar do que dissera a ele, depois daquele fatídico sonho, sabia que era por causa de algo muito mais profundo que um simples jogo político...
Nisso, uma criada entra com um envelope branco e volumoso e lhe entrega com uma mesura. A jovem Kuran empalidece. Reconhecera o selo dos Yuriev no lacre. 
Tohru, você está bem? - perguntou Rose, preocupada.- De quem é essa carta?
Está tudo bem, Rose-chan...Watashi...Apenas gostaria de ler em particular. Não precisa se preocupar. Já estávamos terminando mesmo...Poderia me trazer algo pra beber?
Após à saída da guardiã, Tohru sentou-se na cama e abriu a carta de Yuriev com as mãos trêmulas, lendo avidamente seu conteúdo.


Senhorita Kuran,
Citação :
Tenho a informação de fonte segura que está com sua saúde restabelecida, o que muito me alegra.
"Como ele sabe? Será que tem espiões até mesmo aqui, na Mansão Kuran? Nunca estarei livre de sua vigilância doentia?" , pensou a jovem, franzindo a testa, apreensiva.
Continuou lendo a breve mensagem, cada vez mais inquieta. "Valeriu"?! Por que rebatizar meu pequeno Katsuya? E, pelo que já ouvira falar dos pais de Yuriev não sabia dizer se era bom ou não que ela se afeiçoasse a seu filho...e se ela a proibisse de vê-lo?”, pensou a jovem , aflita.
Havia menção à uma passagem de avião para ela ir à Romênia...Ele dissera que iria até ela e agora isso? O que haveria por trás disso?
Suspirou, desalentada e frustrada. Pensou que poderia ganhar tempo e pensar numa solução que a tirasse dessa situação terrível, mas nada podia fazer...Decerto ele queria, de alguma forma, que ela nem se atrevia a imaginar, persuadi-la a ser submissa a ele, que não contaria a seu tio Loran, que já se encontrava desconfiado pelas últimas notícias do sequestro de seu bebê...O possível envolvimento de membros de um clã vassalo aos Yuriev...Como iria convencer seu zeloso tio de que seu pequeno estava seguro e que iria apenas vê-lo e mais: que Yuriev não era o monstro que pintara quando estava doente e que...o amava e iria aceitar seu pedido de casamento? E Yuriev falou em protegê-la...E quem a protegeria dele e de sua loucura?
Ele deixara bem claro que ela deveria ir só...Não seria fácil também convencer a igualmente zelosa Rose de que não poderia levá-la...Se bem que preferia mesmo que ela ficasse longe...Afinal, apesar de ser uma guerreira excepcional, não seria páreo para Yuriev...Ainda mais no próprio ninho da serpente...Além disso, seria uma contra muitos...
Indo até o banheiro da suíte luxuosa reservada para ela na mansão, Tohru lavou o rosto, tentando se acalmar e clarear os pensamentos.
Voltando ao quarto, pegou na gaveta de uma escrivaninha branca um bloco de perfumado e fino papel de carta rosado e pôs-se a responder com a sua delicada caligrafia. Dizia que iria assim que voltasse de uma pequena viagem que faria com o tio e sua noiva pelos feriados de Natal, ainda uns dias antes da reabertura do semestre letivo na Academia.
...Provavelmente serei condenada ao inferno por ser uma péssima filha, mas não entendo porquê, apesar de toda dor que já me causou com a morte de meus pais e tudo mais, não consigo odiá-lo...Deveria somente sentir horror e asco por sua pessoa,mas no entanto...Não! Não devo amá-lo!Não posso! Não como amei Marshall, de todo o meu coração, mas...Mas ele se foi e... Seria hipocrisia negar que nossas almas parecem ligadas por algo indissolúvel...Somos como Luz e Escuridão, uma não vive sem a outra...E agora eu sei porque...Preciso lhe contar um certo sonho que tive quando me recuperava, mas prefiro fazê-lo pessoalmente. Só espero que não acabemos nos destruindo...Visto a tudo o que já me aconteceu até agora, talvez os membros do antigo Conselho de Anciões estivessem certos...Eu jamais deveria ter nascido. Eu destruo a tudo e todos que se aproximam de mim...
Mas já divaguei demais. Espero que me perdoe. Em breve,estarei em sua presença. Não mais do que uma semana ou duas, e então poderemos conversar...
Cuide bem do meu amado bebê
Tohru Kuran”


Colocou a carta no envelope e a lacrou, providenciando que fosse enviada a seu destino o quanto antes.
O Destino, inexorável, segue seu curso...Estou me aproximando de um Ponto Sem Retorno...espero estar fazendo a coisa certa..”, pensou Tohru, com um suspiro, voltando a arrumar suas coisas.


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MensagemAssunto: Re: Valeriu Mihaela   Qua 6 Jan 2016 - 19:51







A neve caia de forma delicada, mas Yan não podia sentir o toque doce daquele gelado inverno romeno. Estava na ala leste do imenso castelo de seu clã, as paredes de pedras negras se abriam numa estranha gruta onde um fio gelado de água corria entre as pedras e uma relva verde e intocada pelo inverno crescia.

Haviam flores ali, mesmo com o clima gélido, todo aquele pequeno ambiente protegido por uma armação dourada e folhas de vidro fosco, ornamentadas com pequenas flores.

As bases de ferro se prendiam a rocha, criando uma espécie de estufa, onde aquele jardim podia sobreviver ano após ano, inverno após inverno.

Seu pai havia feito aquele pequeno casulo, há muitos e muitos séculos atrás, para sua jovem Selena, quando ainda havia sanidade correndo no olhar da vampira, quando ela ainda via beleza nas flores.

O lugar estava mal cuidado em alguns detalhes, a pintura estava desbotada e o dourado dava lugar a pontos de ferrugem, as esculturas em meio a relva estavam cobertas por líquen e a água das fontes haviam secado. Ainda assim, aquele lugar conseguia guardar uma beleza peculiar, decadente, mortal.

Toda aquela ala do castelo parecia esquecida, fora lá que Selena e Eleazar haviam passado seus primeiros anos de casado. Haviam pinturas antigas e afrescos nas paredes, haviam móveis antigos cobertos por lençóis e o carpete do piso já havia praticamente perdido sua cor original.

Ele andava agora por aqueles corredores empoeirados e vazios, pesadas cortinas de veludo vermelho, poidas, cobriam e impediam a luz do sol de penetrar o lugar. Apenas aquela estranha estufa criada num buraco de parede, ligando à gruta, iluminava aquele local.

Um criado se aproximou de forma silenciosa, com uma carta sobre uma bandeja de prata e Yan apanhou o envelope, logo sendo deixado sozinho.

Ainda caminhando, ele rasgou delicadamente o papel e retirou a carta, guardando o envelope rasgado no bolso de seu casaco, lendo as palavras da jovem Kuran. Tão dramáticas e pesadas como deveriam ser.

“Esta estrelando sua própria opera minha jovem” - ele pensou enquanto seus olhos corriam pelas linhas. Achava divertido ela pensar que sua vida ali seria um inferno, ainda mais confessar seus sentimentos tão platônicos por ele. Sequer sabia que ele realmente era, certamente achava que ele a confinaria num quarto para que ela o servisse, mas este não era nem de perto seu plano.

“Pássaros não são úteis presos em gaiolas pequena, você deve saber disso, pássaros são úteis porque voam” - ele continuou a ler e então dobrou e guardou o papel em seu bolso, continuando a vagar por aquele corredor de cômodos ocultos e fechados.

As passagens de seu dever eram revistas em momentos como aquele, ele mencionava mentalmente cada passo que deveria dar, cada erro que poderia ou não cometer.

As sombras dançavam em seu rosto pálido enquanto ele vencia as distâncias do lugar, seus olhos cinzas parecendo buscar algo.

“Destruir tudo o que toca” - ele pensou, relembrando as palavras dela. Ruri estava a cada dia mais distante em seu mundo servil e ele temia que, a qualquer momento, assim como seu pai outrora perdera Selena, ele perdesse sua irmã, mas também temia que, se demonstrasse qualquer afeto, seu pai os afastasse e ele não pudesse interferir sobre o herdeiro que estava para nascer.

Era estranha a importância que Ruri havia tomado em sua mente nos últimos dias, a sensação de angústia ao pensar na irmã, a sensação de vazio. Estaria ela se afastando para dar espaço para Tohru Kuran? Afinal Yuriev teria que assumir o papel de marido e Ruri sabia o que aquilo implicava.

A vampira era obediente e servil, prática, tática e certamente pensara aquilo, ou talvez ela sempre estivesse distante, talvez as noites que haviam passado juntos apenas tenham sido repletas de gentilezas para agradar ao ego ferido de Yan.

Ele sentiu um sabor amargo em sua boca, parando em meio as fendas do veludo puído, desenhos sombrios sendo pintados em seu rosto.

“Assuma seu papel mic fratele” - ele podia vê-la dizer - “Guie-nos” - mas não era isso que ele queria.

Ele olhou por uma fenda, o inverno dançava lá fora, suprindo toda a vida que havia ali. Dentro dele, ele tratou de abrir as portas para seu próprio inverno, esmagando aqueles sentimentos estranhos em um coração ausente, anulando as sensações que aquelas emoções poderiam trazer.

“Sim, eu vou guiar a todos…” - ele tornou a andar, chegando finalmente ao grandioso e luxuoso quarto principal. Cheirava a gelo quando ele abriu as imensas portas duplas, o eco seco seguindo por todo cômodo.

Mais móveis cobertos e uma imensa cama em meio ao quarto.

Ele seria um líder, ele faria o papel dele, teria um herdeiro com sangue Kuran e Yuriev, teria Tohru servindo-o. As coisas seriam conforme Eleazar desejava.









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MensagemAssunto: Re: Valeriu Mihaela   Sex 8 Jan 2016 - 1:51

Depois de um voo difícil de quase 15h, Tohru finalmente desembarcava no Aeroporto Internacional Henri Caonda, em Bucareste. na Romênia. Sentia-se cansada,  muito enjoada por causa da forte turbulência durante boa parte do trajeto e tensa com o iminente encontro com Yan Yuriev. Seu tio Loran não ficara nada satisfeito com sua decisão de enfrentar sozinha o poderoso Sangue Puro romeno, mas ela insistira em que estava enganada nas suas suspeitas e que, em relação ao sequestro de Katsuya, ele na verdade, salvara seu bebê de dissidentes que queriam se vingar de seu líder, atacando o filho daquela que ele desejava desposar. Loran não parecia convencido e ela tinha certeza de que ele iria tomar providências se ela se tardasse muito, não retornando para o reinício das aulas na Cross, no fim da próxima semana.

A jovem Kuran inspirou e expirou profundamente o frio ar noturno, procurando se acalmar e melhorar o mal-estar. A gravidez recente também já começava a provocar leves sintomas e aquele enjôo provavelmente não era só da turbulência. Instintivamente pôs uma mão protetora sobre o ventre liso ainda. Estava com medo. Medo do que poderia acontecer com ela, com Katsuya, e, principalmente com a criança de Marshal em seu ventre. Por que será que ele exigira vê-la tão prontamente? Estava com um péssimo pressentimento...

Não demorou muito para conseguir desembaraçar-se da burocracia, liberando bagagem e passaporte. Havia avisado do dia e horário de chegada e alguns servos dos Yuriev já haviam providenciado tudo pra ela. Se encontrava agora dentro de uma luxuosa limusine que a levava rumo a seu futuro lar: o castelo dos Yuriev.

"- Este é um Ponto Sem Retorno. Chegou a hora de cumprir novamente o triste destino que se repete há tantos séculos...Oto-San...Vovó Tohru...A senhora conseguiu com sua ternura acabar com a maldição dos Sohma...Me ajude a ter forças para não esmorecer e fazer o mesmo com a maldiçaõ que Yan atraiu pra nós dois..."


               Tohru e Kyoshiro
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MensagemAssunto: Re: Valeriu Mihaela   Sex 8 Jan 2016 - 21:22



[size=30]...Like fire and ice...[/size]

Mic fratele... 
Eu havia criado uma pequena obsessão dentro de mim, dentro do meu ventre. Já fazia um bom tempo desde que aquele fruto se implantara e enraizara e crescia. Eu o sentia, dia a dia, aumentando, sugando minhas forças mas era assim que eu desejava. Que sugassse minhas forças e se fizesse forte, que crescesse como um Yuriev, que fosse  fosse o orgulho de Yan e seu troféu. Sim. Esse filho, esse fruto, ele era a afirmação de mic fratele. Assim, Eleazar não se voltaria mais contra ele, assim ele teria o apoio para seus próximos passos.

Mas... Algo que se remexia dentro de mim não deixava que essas fossem as únicas explicações e motivações do meu empenho. A cada semana, cada mês, eu o sentia. Sentia mais que qualquer um aquilo que crescia dentro de mim. 

~ vida...... ~ sussurrei, sozinha no divã branco na saleta do meu quarto. Não sabia dizer, mas talvez tenha sido a minha primeira palavra em algum tempo. Na verdade, não sei dizer quanto. 

Dizer aquilo, ouvir o suave e musical som doce da minha própria voz parece ter me acordado de uma inércia que há muito me afundara. Meu corpo vivia os dias, respondia, mas eu... Eu nunca estava ali.
E, agora, talvez em uma das poucas vezes que isso tinha acontecido eu estava acordada. Acordada e vendo de verdade tudo ao meu redor. Onde estive dentro de mim por tanto tempo?...  

As poucas vezes que acordara estava sozinha, porém, nos momentos em que estive com mic fratele, eu estava acordada. Mas do que nunca na vida, e agora aquela sensação me envolvia.

Deixei o livro que só agora percebera em minhas mãos ao lado. Sentei, pronta para levantar mas parei, olhando para o ventre oval e proeminente. Algo ali me chamava, algo ali conversava comigo. Nada de palavras, nada sendo dito, mas aquilo... Ele me sentia também. 

~ você me despertou? ...  - minhas mãos delicadas de mármore passaram sobre o delicado tecido do vestido. 

Me ergui, meus pés se moveram. Eu comecei a andar pelo quarto, corredor, salas. Algo fazia meu corpo se mover querer se mover mais rápido. Eu andava pelo lugar, assustando alguns criados.
A boneca estava viva. Isso os assustava.
Não a maioria, mas aqueles antigos o suficiente para já terem me visto viva antes. 
Minha apatia não era só beleza eternizada. Era segurança. Agora... Essa vida. Essa energia selvagem e que pulsava aos poucos, crescente dentro de mim. Isso nunca era um bom presságio. 
Meus olhos estavam violetas, róseos e finalmente vermelhos. 

Eu estava inquieta. Algo ia acontecer.  Mas... O que era?  Uma pulsada, um sentimento, um revirar do estômago e logo minhas próprias presas cortaram meus delicados e róseos lábios, fazendo aquele sangue rubro, forte, sair em um leve fio antes de cicatrizar novamente. Deixando meu cheiro invadir o local.

Ela ia chegar, e no exato momento que esse pensamento ressoou em minha mente algo queimou minha garganta, forte, voraz.
Sede.

~ Mic fratele...


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MensagemAssunto: Re: Valeriu Mihaela   Ter 12 Jan 2016 - 11:27





No imenso quarto, diante da imensa cama, Yuriev planejava mentalmente as ordens a seguir, os passos que daria e que envolveriam toda a transformação de Tohru Kuran em Tohru Sohma Yuriev.

Criados seriam responsáveis por tornar toda aquela ala do castelo habitável novamente, deveriam redecorar, mas seriam aconselhados e manterem as antigas e belas obras de arte. Quem sabe aquilo, junto à presença do pequeno Katsuya que se desenvolvia cada dia mais, não trouxessem ares de sanidade à sua mãe, Selena.

Ele suspirou, rodeando o grandioso objeto, sentindo certa angústia ao saber do que se aproximava. Tohru seria sua mulher e certas obrigações deveriam ser cumpridas, mas o que ele temia ia além disso.

Os modos de Tohru, sua pureza, tudo aquilo lhe recordava aquela humana iludida que um dia ousara a convida-lo entrar em sua casa e cuidar de seu tio ferido. Aquela humana que fora brutalmente tomada dele, no momento em que ele decidira abrir mão de todo o poder de seu sangue, para se casar com ela.

Talvez fossem os olhos verdes, os longos cabelos castanhos. Ele não sabia dizer, mas havia algo que lhe trazia aquelas recordações e ele não queria viver aquilo mais uma vez.

Além disso, havia aquele sentimento recém descoberto, ao sentimentos, aqueles que não podiam ser demonstrados, que deveriam ser ocultados a qualquer custo então talvez ele deveria ser mais assíduo ainda àquela cama.

Ele exalou. O poder tinha um alto custo, mas ele não tinha nada mais a perder e tudo estava indo de acordo com a vontade de Eleazar, então ele deveria estar feliz, deveria mostrar orgulho e contento e era isso que faria.

“Mic fratele…” - aquela voz então ecoou nos corredores vazios e ele sentiu sua peloe se eriçar. Aquilo era realmente novo, jamais imaginara aquele tipo de influência sobre ele.

Ele se virou, saindo das sombras daquele quarto, seguindo o som daquela voz, encontrando a boneca viva da família Yuriev ali, parada, em pleno corredor coberto de poeira e sombras, desenhos irregulares e assombrosos tomavam formas ainda mais nefastas no chão.

“Almas condenadas a destruírem tudo o que tocam…” - ele pensou com pesar, se aproximando lentamente de sua irmã. Era visível a sede que ela sentia.

Ele se aproximou e tocou gentilmente o rosto dela, algo tão incomum, mas não havia ninguém ali e, por um momento, Yan deixou-se sentir.

-Mic Sora - ele repetiu baixinho e então ergueu o queixo dela, inclinando-se para frente, afastando os próprios cabelos enquanto deixava seus dedos se envolverem nos cabelos de neve dela.

Ele fechou os olhos, sabia que o que viria a seguir seria apenas for. A mordida de Ruri não seria gentil, estava sedenta, mas ele suportaria aquilo, afinal, ela suportara ainda mais por ele, ela quase morrera por um tolo erro dele.

-A mea… - ele sussurou, apenas aguardando que sua pele fosse rasgada pelas presas da irmã, sua respiração fria batendo sobre o manto nevado de cabelos que caiam sobre o ombro dela.

Parados naquela posição, pareciam duas estátuas de anjos que se abraçavam num céu de sombras.

O vento uivou pelas janelas de modo quase sobrenatural e, enquanto Ruri sugava o sangue cheio de ilusões de Yuriev, envolto pelas sombras, implacáveis olhos cinzas estavam sobre eles.






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MensagemAssunto: Re: Valeriu Mihaela   Ter 12 Jan 2016 - 14:54


Ruri Yuriev

Aqueles sons, cheios, cores. O pálido mármore que se estendia sob os meus pés, o vento gélido que corria pelos meus cabelos. Todas aquelas sensações eram estranhas, inquietantes. Tudo parecia aumentar minha sede e junto com ela algo que rugia dentro de mim.
Pousei a mão sobre o ventre novamente, já visível tranquilamente sob as roupas.
Não faltava muito... eu sentia. Logo aquele ser viria ao mundo. Mas enquanto ele não vinha, eu o sentia conversar comigo, mexer comigo. Eu sentia aquela mente que se construía e descobria dentro de mim, que mexia com a minha própria mente, a estimulando.
Perigoso ou não, minha mente voltava a interagir por si só com o mundo e com aquilo em mim. 
Mas aquela sede....
A sede só aumentava. Eu precisava aliviá-la, aplacá-la. Meus olhos brilhavam vermelhos e meus passos iam firmes, porém sem rumo certo pelo corredor daquela ala pouco visitada. 
Eu o sentia... seu cheiro, sua presença.
~Mic fratele..... ~minha voz saiu em um fio, mas eu sabia que ele ainda sim me ouviria. Me ouviria chamar por ele.
E ouviu.
Ali estava ele, vindo em minha direção. Seu rosto sempre de uma beleza indescritível, andrógeno, com uma olhar firme e que parecia sempre ser o mais determinado que já vira.
Seus passos diminuíram o ritmo ao se aproximar de mim e seus olhos, aqueles olhos tão determinados me fitavam daquela forma única, sem a frieza rotineira que habitava neles. Aquela frieza que reparava, nunca era dirigida à mim.

Mas talvez ele reparasse em mim, talvez não, mas meus olhos estavam vívidos. Não digo isso só pelo vermelho radiante em que eles se encontravam mas... no meu olhar. Eu não estava distante, Yan. Eu estava ali.
Estava ali de uma maneira que pouca vezes estive, que talvez só no íntimo estivera. Mas ali era diferente. Meus olhos se ergueram até os dele mais uma vez quando me chamou por Mic sora e... eu sorri. Eu não sabia se isso era exatamente belo ou assustador, mas eu sorri para ele, fechando os olhos quando ele aproximou o pescoço.
Sim. aquele cheiro... aquele cheiro que já enxia minha boca do próprio veneno ao imaginar o sabor, como se salivasse pela antecipação dele.


~Eu também... sempre irei quando me chamar.... ~ eu parecia responder a algo que havia dito em minha mente, mas que pela minha frase ele poderia saber "você sempre virá quando eu o chamar"....

Essas minhas palavras saíram baixas, em um sussurro quase provocante. Eu parecia... uma predadora. Minhas mãos passaram pelo tecido da camisa sobre o seu peito, o seguro e puxando enquanto eu o mordia com vontade.
Meus lábios deslizaram, juntando-se a sua pele e sugando seu sangue com vontade. Eu estava com sede, muita sede, mas a vontade com a qual sugava seu sangue não vinha só da sede, mas do gosto especial que aquele sangue tinha e da forma que ele me agitava a cada gole. Um, dois, três, vários, seguidos. Eu não sabia parar naquele estado em que eu estava. O sangue parecia mais saboroso, o toque da sua pele nos meus lábios mais provocante, tantas sensações....

Mas eu o soltei. Não tenho ideia se no tempo certo ou um pouco além dele, mas meus dentes deixaram sua pele, que já estava um pouco machucada, enquanto minha língua deslizou por ali, sorvendo as últimas gotas de sangue que escapariam antes de cicatrizar e lhe dando um suave beijo sobre elas, como uma mãe que beija o machucado do filho para sarar, ou como uma amante beija o pescoço daquele que quer seduzir.

Me afastei com os lábios ainda sujos do sangue e aquela expressão vívida no rosto, satisfeita. Apesar da sede aplacada meus olhos pareciam recusar-se a voltarem a cor normal, ainda os sentia pulsar, como se ainda partilhassem um pouco do rubo em sua íris, ficando entre este e o azul habitual, como um lavanda.

~ Multumesc, Mic fratele.... - agradeci, baixo, olhando em seus olhos.


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MensagemAssunto: Re: Valeriu Mihaela   Ter 12 Jan 2016 - 18:06





A fraqueza era a pior característica de qualquer ser vivo na terra. Era uma falha de seleção natural. Os fracos estavam destinados a morrer, era uma lei biológica existente desde que o mundo fora criado.


O que não se adaptava ou fortalecia, era engolido pela selvageria da existência, era desmembrado e se tornava inexistente. Era inútil e deveria ser deixado para trás. Mas ele insistia, ele não podia fazer isso com sua própria cria masculina, a única cria daquele casamento arruinado.

Era poderoso até, mas o coração que batia fora do peito, a alma que habitava aquele corpo, insistia em ter esperanças em sentimentos que não trariam nada além da própria destruição.

Bastava ter ficado poucos dias fora, bastara tê-lo deixado sobre grande pressão e, mais uma vez, aquele tolo vampiro caia sobre os próprios joelhos, sua mente cheia de névoas doces de memórias estúpidas. Ele teria que fazer algo e dessa vez teria que ser definitivo.

A alma de Yan Yuriev precisava ser morta ou Eleazar perderia a rainha de seu tabuleiro. Apesar de ser poderosa, Ruri jamais poderia substituir seu irmão na monarquia romena e a linhagem estaria morta.

Por sorte aquele fraco vampiro fora capaz de gerar no ventre de sua verdadeira esposa uma cria masculina também e agora poderia cumprir o seu papel se casando com aquela verme mestiça da casa Kuran. Mestiços serviam apenas de lacaio e alimento, eram vampiros fracos, os primeiros peões a morrerem na guerra, mas ao menos aquela tinha um nome e era aquilo que importava.

Além disso, sabia que qualquer nobre ali ficaria mais do que grato em lhe ofertar a alma para ao menos transformar aquele lixo que pisaria em seu castelo em algo poderoso, assim como fizeram com a pequena criança a qual Selena se apegava mais e mais.

Selena. Aquela mulher terrível. Era tão prazeroso sentir o desprezo do olhar dela, aquele era o verdadeiro e único amor que deveria existir e não aquela patética cena de entrega que se desenrolava diante dele.

Yan era tolo por servir seu sangue à Ruri daquela forma tão despreocupada. Selena estava ali para isso, para usar seu poderoso sangue ancião e manter a filha prestes a parir.

Yan deveria estar forte, se fossem atacados naquele momento o que seria dele? Certamente seria transformado em pó. Era totalmente inútil entregue daquela forma e Eleazar sabia que tudo aquilo era por conta do sentimento que Yan vinha nutrindo pela criança e pela mãe.

As fêmeas eram peça importante no clã, mas não a ponto de fazer os machos baixarem a guarda àquele ponto.

Sim, no passado, ele também sucumbira a Selena, mas se houvesse continuado naquele ritmo teria sucumbido a loucura da mesma, seu clã jamais teria alcançado o que alcançou.

Ele aguardou até o último instante e então seus passos ecoaram no corredor: toc… toc… um som monótono que se aproximava e fazia Yan congelar logo após se derreter na doce sensação do beijo de Ruri.

Yan sentiasse fraco, a visão turva ainda estava focada nos cabelos brancos da irmã, o vulto que aos poucos se desvencilhava das trevas do corredor tomava uma forma aterrorizante.

Ele envolveu Ruri ainda mais em seus braços e fechou os olhos novamente, esperando que aquilo fosse apenas um pesadelo.

Como se tivesse sido visitado por um mensageiro do futuro, Yan previa a reprovação de seu pai, mas sua fraqueza por alimentar Ruri, que sugara seu sangue de forma tão voraz, não o permitia se recompor.

-Papa - ele balbuciou, afastando-se de Ruri e se colocando ao lado dela.

Eleazar se aproximou, erguendo a mão e apoiando sobre o ombro do filho. Os joelhos de Yan se dobraram levemente com a pressão daquele toque, daquela presença mortal.

Sem dizer qualquer coisa, Eleazar ergueu os dois dedos e os enfiou na ferida recém aberta, os olhos cinzas fixos nos olhos de Yan.

Imóvel, Yan fixou os olhos naquele olhar, embora por dentro, o medo começasse a tomar conta.

Num movimento rápido, Eleazar rasgou a ferida ainda mais, fazendo o sangue verter, um rasgo doloroso que seria capaz de matar um humano.

Imóvel, Yan continuava ali, sentindo o desejo de seu corpo por um descanso, por sangue, sentindo aos poucos sua garganta que vertia sangue arder, sentindo-se ansioso por fechar aquele ferimento.

Mas ele permaneceu ali, os olhos fixos no pai, aguardando qualquer ordem, qualquer permissão.







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MensagemAssunto: Re: Valeriu Mihaela   Ter 12 Jan 2016 - 20:40



Ruri Yuriev

O sangue dele... O sangue de meu Mic fratele. Era isso que eu queria, era por isso que minha garganta queimava e que eu precisava ter.
Quanto tempo fazia desde que eu quis algo? Que tive minhas próprias vontades? 
Desejar aquele sangue, desejá-lo e têr me trouxe as experiências que eu buscava naquele momento de lucidez.
O gosto doce ainda reverberava em minha boca enquanto eu observava o seu rosto, fraco pelo meu excesso. Mas havia algo ali, havia uma expressão de serenidade, a qual eu quase não pude perceber por sua rápida ruptura aos passos que ecoaram na poeria do chão de mármore e paredes sombrias.
Eu não me virei, eu não precisava me virar para saber quem era o dono daquela aura opressora e violenta.
Yan me abraçou novamente, mais apertado, me puxando mais para si enquanto minhas mãos soltavam sua camisa. Eleazar não gostaria daquilo.
Mas ele estava perto e logo Yan me soltou e se pôs ao meu lado. Ele estava cansado, tonto, mas eu não iria ajudá-lo. Ele não era fraco e Eleazar nunca poderia ver nada que insinuasse isso.
Mas talvez não importasse, porque ele já tinha visto algo que não deveria, algo que não gostaria de ver e pelo seu rosto, Yan pagaria pelo desacordo do pai.
Eu fiquei ao lado dele observando todo o desenrolar grotesco da cena de Eleazar. Eu não tinha medo dele, de Selena, de ninguém. Isso não era prudente, eu sabia. Mas a minha lealdade, meu respeito, só pertencia à ele. Era à ele, à Mic fratele quem eu sempre seria fiel, era dele a minha devoção.
Eu sabia que ele nunca enfrentaria Eleazar e eu faria o mesmo, mas ao ver seu sangue, aquele sangue que ainda manchava meus lábios e que o gosto ainda reverberava na minha boca fluir, meus olhos acenderam novamente.
A boneca da família Yuriev, passiva, apática e bela... Mas não foi isso que meus olhos demonstraram, no momento que eu os passei da ferida de Yan para o gélido cinza dos olhos de Eleazar.
Eu não estava passiva, eu não estava apática, eu estava ali e minha expressão era séria e descontente olhando Eleazar.
~Mama estava ocupada com a criança... E precisava alimentar a minha ~ Minha voz saiu baixa e embora meus olhos o fitassem com aquela insatisfação velada, meu tom não demonstrava desrespeito. Eu sabia bem do que Eleazar era capaz e não poderia arriscar Yan.
Não sei quantas vezes papa ouviu minha voz na vida, mas sei que nunca lhe dirigi a palavra antes sem ter sido perguntada. Eu não sabia se realmente havia ajudado ou piorado a situação. Meu ventre se inquietou. Mas, quanto eu rompia a apatia eu não conseguia mais ser passiva em relação ao mundo, eu não conseguia só observar.


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MensagemAssunto: Re: Valeriu Mihaela   Qua 13 Jan 2016 - 3:16


Finalmente chegara. Tohru, com o coração aos pulos, saltou da limusine e o que viu até a fez esquecer do cansaço e do mal-estar...
O castelo era absolutamente magnífico, impossível de descrever em palavras ainda mais para alguém como Tohru que, apesar de pertencer à família real vampírica, nunca frequentara lugares tão majestosos, a não ser os grandes teatros e casas de espetáculo onde seu pai se apresentava, visto que seus pais preferiam viver em lugares simples, geralmente no interior.

"- Sugoi...Demo...A aura deste lugar é tão pesada e fria...sombria e sem amor...E este será meu novo lar..." - pensou, Tohru, andando lentamente, olhando em volta,entre fascinada e assustada.


Tohru foi conduzida até a entrada principal. Gigantescas portas de madeira maciça se abriram para ela, que adentrou, cautelosa.

Uma mulher de meia-idade alta e muito bela no alto de uma imensa escadaria principiava uma lenta e elegante descida quando a vira entrar. Era uma Sangue- Puro...Só podia ser a mãe de Yuriev. Se parecia bastante com ele. A jovem se aproximou da escada e aguardou que ela viesse ter com ela, ansiosa.

- Ano...B-Boa noite...A senhora deve ser a senhora Selene Yuriev, não é? - Tohru se curvou, cumprimentando-a, respeitosamente.- Sou Tohru Kuran. Seu filho Yan me chamou e aqui estou...



Num rompante ousado, Tohru resolveu perguntar.Seu aflito coração de mãe não mais se conteve.

- Onegai, Yuriev-sama... De uma mãe para outra...Meu bebê... Eu poderia ver o meu pequeno Katsuya? - perguntou cheia de esperança.


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MensagemAssunto: Re: Valeriu Mihaela   Sex 15 Jan 2016 - 16:22




A passividade de Yan perante sua atitude só não foi pior do que a atitude de Ruri. Eleazar esperava que Yan ao meno so confrontasse como um verdadeiro monarca, mas ele permanecia ali, parado, como se aguardasse qualquer comando que o pai teria para lhe dar. Aquilo fez o ódio queimar dentro dele e mais uma vez ele se conteve para não destruir aquele vampiro fraco.

-Se espera ordens minhas como um lacaio, então ordens minhas tera - ele murmurou com desgosto e então virou-se para Ruri, parando diante dela, as mãos entrelaçadas nas costas. Era tão raro ouvir a voz de sua filha que, no fundo, se sentiu surpreso, mas ele esperava que Yan lhe desse uma resposta e não uma simples fêmea.

Num gesto rápido, quase imperceptível, a mão dele atingiu em cheio o rosto de  Ruri, tamanha a força naquele simples gesto que a vampira, pega de surpresa, caiu para trás. Olhos cinzas cheios de desaprovação olhavam para ela, tão penetrantes que ela podia sentir seu corpo pesado, como se estivesse preso ao chão.

Eleazar permaneceu em pé, ainda diante da menina caída, sem fazer qualquer menção de ajudar a própria filha, a vampira que carregava seu herdeiro, seu neto.

Como se el próprio sentisse a dor de Ruri, Yan passou por Eleazar e, sem se preocupar com as possíveis punições, ele se abaixou e ergueu a irmã nos próprios braços, ficando de frente para Eleazar.

-Inteligente, meu caro - Eleazar começou - erga sempre a fêmea diante de você, ela deve sempre protegê-lo, mas proteger não significa que deve sempre correr para a barra da saia dela, ou sera inútil - ele então passou pelos dois, a ferida ainda aberta escoria sangue, mas Yan concentrava todas suas energias em segurar Ruri, em mantê-la em seus braços e evitar que, num momento de loucura, ela resolvesse realmente protegê-lo contra o próprio pai.

-Siga-me - Eleazar pediu, já alguns passos a frente e Yan cuidadosamente desceu Ruri de seu colo, olhando-a por um breve momento, num olhar de súplica para que nada fosse feito.

Eleazar então retornou ao ponto onde Yuriev estava, para a estufa, passando pelas belas flores que, mesmo com o intenso inverno lá fora, teimava em fazer seus doces aromas tomarem o ar, para atrair pássaros que nunca chegaria ali.

Yan mantinha o olhar nas costas de Eleazar enquanto continuavam a adentrar a estufa, chegando finalmente a parte conectada a gruta.

Eleazar caminhava sobre a própria água que se transformava em gelo sob seus pés, atravessando então o pequeno leito de rio que havia ali, indo mais e mais ao fundo pela gruta.

Uma estranha sensação de agonia enchia o peito de Yan a cada novo passo que dava. Sua visão turva ainda falhava e seus olhos agora estavam vermelhos, não pelo escuro que aos poucos tomava aquele lugar, mas sim pela sede que começava a sentir.

Ruri vinha pouco passos atrás deles e ele sentia que devia mandá-la embora, que certamente o pai faria qualquer coisa, alguma coisa, para lhe mostrar os erros e ele temia pela vampira.

“Erros, sentimentos são erros, Ruri é forte o bastante, você é fraco” - sua mente então repetiu e, por um breve segundo, ele temeu que fosse o próprio pai quem lhe dizia aquelas palavras.

Eleazar tinha desgosto de seu filho e Yan sabia disso, sabia que, por mais poderoso que estivesse se tornando, Eleazar ainda o considerava um lixo, fraco, mas ele sabia que nada daquilo tinha a ver com suas estratégias de guerra ou seu poder.

Falhara na Academia Canadense, Falhara em controlar o conselho daquele lugar e falhara em proteger Ruri e tudo isso porque deixara uma coisa se envolver em seus planos: Sentimentos.

A memória trancara dentro de si os terríveis dias de retorno à Romênia com sua amarga derrota, os castigos físicos que sofrera, a dor que só fora aplacada, mais uma vez, por aquelas sensações que ele escondia a todo custo.

Sua primeira noite com Ruri fora algo que ele era incapaz de descrever e ele temia em rememorar aquele momento, ainda mais na presença de Eleazar ou até mesmo de Selena.

A felicidade de sabe que Ruri lhe daria um herdeiro estava enterrada, assim como seu coração, em algum lugar no gelo.

Eleazar continuou sua caminhada silenciosa, sendo seguido pelos filhos, por quase uma hora, seguindo o sentindo contrário rio, adentrando ainda mais a gruta. Em determinado ponto as águas já estavam congeladas por si só e eles conseguiam atravessar com facilidade.

Finalmente eles entraram em corredores, a gruta agora parecia se ligar à montanha e levar a muitos caminhos. Sem hesitar, o vampiro ancião seguia por todo aquele labirinto, chegando então à parte externa do castelo, num local além da montanha.

-Esta é uma rota de fuga - ele anunciou sem muito entusiasmo, continuando a andar na neve que agora caia numa quase tempestade.

O frio absurdo não afetava aos três vampiros, afinal, eram feitos de gelo e seus corações ali moravam.

O vento soprava com força e certamente um humano ou um vampiro mais frágil já estaria com muitas dificuldades em prosseguir.

Mais uma hora de caminhada e então eles chegaram a mais uma montanha e novamente estava em labirintos escuros de pedra, mas dessa vez, sem o curso do rio para guiá-los.

Eleazar prosseguiu, o frio agora era incômodo até mesmo para Ruri e Yan, mas o ancião não parecia se afetar.

Vez ou outra, Yan olhava para a irmã, para ter certeza de que ela estava bem, o vermelho feito pelo corto no rosto dela, causado pelo tapa, havia desaparecido.

Duas ou três vezes pensou em tirar seu pesado casaco e ceder para a vampira, mas sabia que aquilo seria ainda pior que o frio intenso, aquilo poderia ser uma sentença de morte futura.

Eles então chegaram a um lago congelado dentro da caverna e Eleazar parou, aguardando que suas duas crias o alcançassem.

Assim que Yan chegou a beira do logo, Eleazar fez um breve gesto para que ele seguisse até o meio do lago.

Sem hesitar, Yan seguiu aquele comando mas, a medida que se aproximava do meio do lago, seu coração se enchia de terror.

Era como se estivesse entrando em um pesadelo, o mais sombrio que imaginara ter. Era como se o passado abrisse sua porta e entrasse lhe atirando facas no peito.

Ele caiu de joelhos, os olhos estavam cheios de lágrimas e dor. Estava fragilizado, tão frági que sequer se dera conta do que estava fazendo ao se ajoelhar sobre aquele corpo congelado no gelo, suas mãos tocando as duas mãos que estavam sobre o peito daquele cadáver.

Atrás dele, uma voz ainda mais repleta de desgosto e ódio surgiu e apenas uma palavra lhe foi dita:

-Destrua.

***

A limusine partira, deixando Tohru Kuran ali, parada diante das imensas portas do castelo. Era realmente uma visão digna de qualquer conto de fadas, a neve caia de forma gentil, formando pequenos montes ao redor da entrada.

As portas eram ornamentadas com flores e folhas esculpidas, até onde a visão de Tohru alcançava. Elas se abriram, como se alguém la dentro adivinhasse a chegada da menina e logo ela estava diante de um imenso hall, com um tapete bege claro felpudo no chão, guiando para uma escadaria que estava à frente.

Havia realmente uma vampira ali, bela, com um porte nobre, uma sangue puro que descia os degraus de forma lenta e graciosa. Tinha algumas marcas de expressão, indicando que deveria ser muito antiga, mas, mesmo com os cabelos brancos e olhos cinzas comuns aos Yuriev, havia algo que não se encaixava nela.

Vestia um terno branco simples e tinha certo ar arrogante, mas seu sorriso foi gentil, até se transformar numa risada debochada quando se aproximou de Tohru.

-Sei quem é criança, mas você não faz ideia de quem sou - ela riu novamente então passou por Tohru - Sou Yelena Razvan tola criança e eu não entendo como pode me confundir com nossos amados Yuriev. Vou ser boa com você e não contaria a Selena este nosso segredinho.

Ela se afastou e então uma criada vestida num uniforme branco e dourado veio até ela, fazendo uma breve reverência. Era uma mestiça, assim como ela, possuia os olhos cinzas como a maioria ali, mas seus cabelos eram louro avermelhado.

-Senhorita Sohma Kuran, nossa grande senhora Yuriev lhe aguarda na sala da lareira - ela mantinha a cabeça baixa e sequer olhava para Tohru - Peço humildemente que deixe suas bagagens aqui e logo iremos acomoda-la. Por favor, poderia me acompanhar? - a submissão daquela vampira era tão clara e o medo que ela trazia que aquilo certamente causou mal estar a Tohru.

Ela subiu as escadas, esperando docilmente que Tohru a acompanhasse, elas tomaram o segundo lance da escada, indo para a esquerda e logo estava no imenso corredor superior. Andaram por muitas portas, algumas abertas, outras fechadas.

O chão de mármore branco sempre coberto por aquele belo tapete bege, alguns quadros ornamentando a parede com rostos que Tohru certamente não conhecia.

Candelabros acesos guiavam e iluminavam de maneira sutil o caminho das duas, chamas intensas queimavam e exalavam um doce aroma no ar.

Finalmente chegaram a imensa sala e Tohru certamente pode sentir o peso da presença da única mulher que ali havia.

Estava parada em frente a janela, os olhos fixos em qualquer coisa lá fora. Se vestia totalmente de branco, com um pesado casaco e um vestido em estilo cauda de sereia. Ela olhou para Tohru por um breve momento e então se afastou da janela.

-Uma mestiça - comentou, sua voz não demonstrava nenhuma emoção, na verdade parecia vir de algo tão distante e etérea que Tohru poderia imaginar que a vampira estivesse falando em sua mente - Sente-se - ela indicou uma das inúmeras poltronas que haviam no local e então olhou para a criada ao lado dela - Treja, acenda a lareira para a senhorita mestiça - ela pediu, sentando-se então em um divã e olhando para Tohru, seus olhos cinzas pareciam entrar na alma da pequena mestiça e ferir como gelo, mas ao mesmo tempo pareciam ver além dela, como se ela sequer estivesse ali.
-Tem outra cria no ventre, não entendo sua utilidade - ela comentou, os olhos mórbidos fixos na vampira - Lhe daremos um chá que resolvera isso, minha mãe me ensinou assim - ela continuou, como quem fala sobre o tempo e então voltou a olhar pela janela, como se algo estivesse prestes a entrar por ali - minhas lindas crias - ela murmurou, perdida dentro dela mesma.







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MensagemAssunto: Re: Valeriu Mihaela   Sab 16 Jan 2016 - 1:56

Tohru corou intensamente com a gafe cometida, curvando-se à guisa de desculpas.
- G-Gomenassai...Desculpe-me, Razvan-san. 

Pensou, ainda corada, vendo a outra se afastar. "Depois dizem que nós, orientais, é que somos todos parecidos..."


Então a serviçal, mestiça como Tohru, a abordou. Constrangida com tamanha servilidade, Tohru apenas concordou com a cabeça e seguiu, após murmurar um agradecimento com o pouco romeno que sabia.

Olhando a tudo à sua volta, a jovem ficava cada vez mais admirada e um tanto incomodada com tamanha magnificência daquele ambiente.
Quando finalmente chegaram ao seu destino, Tohru sentiu a cabeça girar com uma forte tontura ao sentir a magnitude daquela presença..Que diferença entre uma presença e outra! O jeito como a Sangue-Puro a olhou e a maneira de tratá-la..Mestiça...Desde criança aquela palavra era atirada sobre ela como um xingamento,na maioria das vezes por parte de nobres e Sangues-Puros, com aquele desprezo...Tohru engoliu em seco e ainda assim fez uma reverência respeitosa e sentou-se no lugar indicado, mas sem baixar a cabeça.seu pai sempre lhe ensinara que ela podia ser mestiça, mas em hipótese alguma era inferior a qualquer um deles, muito ao contrário! E o Ancestral Kuran também sempre lhe deixara isso muito bem claro.

"Você é a criatura mais pura e perfeita que eu já conheci, querida Tohru...Seu pai e eu temos muito orgulho de você. Jamais se esqueça disso e não permita que esses esnobes a façam se sentir humilhada..."


Ao ouvir as palavras da Sangue-Puro sobre sua criança, ela se levantou de imediato, se segurando no braço da poltrona, em seguida, para não cair. 

- Iee! Não! Onegai, Yuriev-Sama...Não mate minha criança!- Tohru, assustada, colocou as mãos , protetoramente, sobre o ventre liso.-  Ela...é a única coisa, juntamente com meu pequeno Katsuya, a quem tanto prezas, que ainda me mantém presa a esta vida depois de tudo que descobri sobre meu finado Marshall...Por favor, Yuriev-Sama...Eu concordei com esse casamento...Eu darei quantos herdeiros seu filho quiser...Quantos o meu corpo puder suportar... Até que a morte venha me libertar..., pensou. Mas não mate essa minha preciosa criança, senhora! De uma mãe para outra, eu imploro!


               Tohru e Kyoshiro


Última edição por Tohru Kuran em Qui 21 Jan 2016 - 1:39, editado 1 vez(es)
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MensagemAssunto: Re: Valeriu Mihaela   Qua 20 Jan 2016 - 19:22



Ruri Yuriev




Dizer que não sabia das possíveis consequencias da minha audácia seria estupidez. Eleazar tinha suas próprias regras, as quais ele tornou regras de todo um clã e nelas eu tinha meu lugar. Ele era ao lado de Yan, porém, abaixo dele. Eu deveria protegê-lo, jamais falar por ele.

Mas apesar disso eu respondi à papa e, mesmo que meu tom não demonstrasse desrespeito, eu sabia que só aquele ato era o suficiente para que sofresse de sua repreensão. 
Mas isso tinha um objetivo claro. dois.
A ira de papa era mensurável desde os primeiros sons de seus passos no mármore empoeirado. Mas eu sabia que não era dirigida à mim e sim à mic fratele. Ele era  herdeiro do clã, ele que deveria demonstrar sua conduta impecável acima de todos. Isso me preocupava. Se Eleazar ficasse só junto à Yan sua ira poderia ser demasiada, desmedida a ponto de quase exterminar o vampiro fragilizado pela perda de sangue.
Eu tinha que impedir ou, ao menos, dividir aquele fardo. Esperava que meu desrespeito ao menos tirasse o foco de Eleazar o suficiente para que eu conseguisse receber um pouco de sua ira, apaziguá-la sem que esta se despejasse inteiramente sobre mic fratele.
Isso também me garantiria um lugar em sua sessão de disciplina. Certamente a mim não seria importo nada de grave, o herdeiro que carregava não era trunfo somente de Yan, mas também de Eleaza. Sabia bem, assim como Yan, o que ele pensava: Aquela criança seria o substituto de Yan,  muito possivelmente. Ele não iria arriscar isso.

Mas ele também não iria deixar minha audácia impune e, assim como minha certeza se afirmou a mão pesada de papa desceu sobre meu rosto, em uma velocidade que se quer eu pude perceber antes de cair no chão com a mão já protegendo o ventre.
Senti agora o gosto do meu próprio sangue encher minha boca, mas ele não escorreu. Eu mantive meus lábios fechados, engolindo novamente o sangue, cicatrizando o machucado dentro da boca, porém sem conseguir esconder as marcas externas na minha bochecha e lábios.

Algo forte se agitou mais dentro de mim, algo violento, uma ira que não me era comum, que não habitava aquela casca de boneca. Mas da mesma forma que ela veio foi contida com o olhar pesado de Eleazar. Eu não consegui me mexer ou sair do chão, não consegui fazer nada diante daquele glo que saía dos seus olhos. 
Esse era Eleazar Yuriev. Isso era um puro ancião, capaz de conter até a loucura que acometia a outros puros apenas com seu olhar.

Eu fiquei ali, imóvel enquanto acalmava aquela energia que se revirava dentro de mim até sentir Yan me pegar. Aquilo não era bom, mas agora eu percebi que era melhor continuar calada. O toque dele e seus braços pareceram acalmar mais aquilo dentro de mim, me trazendo de volta ao controle, mas ao mesmo tempo aquile ser no meu ventre parecia interagir comigo de novo
" e in regula "..... 
O acalmei dentro de mim enquanto Yan me botava novamente no chão. Eu não o olhei nos olhos, mantendo-os a frente em Eleazar mas eu senti o olhar dele, senti o que me pedia e em uma leve expiração relaxei um pouco o corpo, indicando que seguiria como ele queria, que o obedeceria, como sempre fiz.

Esperei que Mic fratele dar os primeiros passos arás de Eleazar para seguí-lo. O longo caminho passva por inumeráveis labirintos de túneis, atravessand toda a propriedade, saindo no outro lado da montanha e continuando na próxima. 
Eu era feita de neve e gelo, meu coração jazia nele, mas meu corpo pela primeira vez sentia o frio, o fruto da minha essência. 
Aquilo me incomodava e apesar de bem alimentada, consumia quase sempre tudo que obtinha em prol da minha cria e era minha cria que deveria estar segura.
Andei a maior parte do frio reta, sem esboçar qualquer expressão apesar d leve vestido que deixava metade dos meus braços e meu colo exposto. Apenas levei a mao protegendo o ventre oval quando as rajadas do vento gélido se tornaram mais fortes, porém minha expressão apática não se abalou em nenhuma parte do caminho.
Quando Yan me olhava eu não retribuía. Meus olhos continuaram à frente, mirando somente o caminho. Ele não deveria se preocupar comigo, não deveria esboçar isso. As coisas sempre poderiam ficar piores com Eleazar, não era prudente demonstrar nada, mesmo naquele momento.

Mas isso se tornou impossível. Eu parei a beira do lago enquanto Yan se aproximava, sua expressão demonstrando tudo o que Papa não poderia ver. Ele se abriu, ele abaixou a sua guarda completamente.
Pela sua dor, pelo seu desespero eu sabia quem estava ali.

Minha expressão permaneceu a mesma enquanto eu me mantinha de pé a beira do lago com as mãos protegendo o ventre
" Mic fratele... isso tem que ser feito. Faça."
Sussurrei em minha mente. Aquela afeição dele pelo cadáver da humana era algo que eu nunca iria entender. Mas ali não estava em jogo entender ou não aquele vínculo, estava em jogo o próprio Yan.
" Eu a destruiria se hesitação, mas isso é algo que você tem que fazer"
Ele não poderia continuar prostrado daquela forma, caído por um cadáver humano no gelo. Quanto mais tempo aquela cena demorasse, mais Eleazar perderia a paciência e não queria ver o que ele faria depois disso. 
Eu não podia intervir, mas sabia que se Eleazar levantasse o braço a primeira vez eu iria, pois dele não viria piedade nenhuma para com um vampiro que chora e despeja lágrimas sobre um cadáver de um humano.
Se ele não fizesse aquilo logo, papa faria algo a ele e, então, seria a minha vez de agir.


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MensagemAssunto: Re: Valeriu Mihaela   Ter 26 Jan 2016 - 12:02





""And all these nightmares I once had
As a child
The morning always came
It came too late
What did my mind forget?
Forget to hide
Could the nightmare be awake?

I don't know""


-Destrua - Eleazar repetiu, seu tom quase monótomo conseguiu encobrir perfeitamente a vontade que tinha de eliminar aquela sua cria fraca.

Em sua mente a ideia de uma nova esposa também vinha crescendo com o tempo, com o fato agora mais do que comprovado de que Yan era fraco, era apegado a sentimentos que poderiam facilmente lhe arruinar em batalha.

E se aquele corpo ali sequer fosse real, se aquele corpo fosse uma ilusão causada por um inimigo? ele estaria de joelhos pronto para receber sua sentença de morte?

Yan não era o bastante para executar os planos de Eleazar, mas era o que ele tinha por hora, ao menos até que o herdeiro de Ruri nascesse, ao menos até que ele próprio encontrasse uma nova esposa capaz de lhe dar novos filhos.

Aquela cena patética era mais um teste de paciência para ele, onde havia errado na criação daquele que seria seu herdeiro?

Pelo que se lembrava também, Selena havia sido uma boa mãe, ao menos na medida de sua própria loucura.

Diante dele, o filho continuava a se lamuriar sobre um cadáver no gelo enquanto ele sentia Ruri cada vez mais instável. Talvez aquela fêmea devesse ser o seu herdeiro e não aquela alma frágil diante dele.

Então Yan se ergueu, seu choro parecia agora uma risada baixa. Era estranho, de dar calafrios e logo aquele riso baixo se transformou em algo histérico.

O gelo ao redor do cadáver começou a se romper e logo o corpo se erguia em uma própria mesa de gelo.

Yan deu a volta e então encarou Ruri e Eleazar por longos segundos em silêncio, sua mão então perfurando o peito do cadáver, arrancando seu coração congelado. O gelo se desfez e logo o órgão estava em seu tom de vermelho escuro natural.

Ainda rindo daquele modo histérico Yan levou o órgão à boca e mordeu-lhe um grande pedaço, quase metade daquele coração já há muitos séculos sem vida, ele mastigou, parecendo apreciar o sabor daquela carne, degustando cada parte do músculo ingerido, até finalmente engolir.

Uma nova mordida, suas risadas agora deram lugar a sensação de deleite descrita em sua face.

A cena era extremamente desagradável aos olhos de Eleazar, aquele pequeno e desnecessário show por parte de sua cria o desagradava ainda mais do que a choradeira de outrora. O que Yan queria provar com aquilo?

De qualquer forma, o ancião continuou a encarar a cena do filho, agora Yan se inclinava sobre o cadáver como se fosse lhe beijar a face, mas seus lábios traziam de volta pedaços de carne gelada e morta.

O monótomo barulho de mastigar deu-se por quase uma hora, sendo rompido apenas quando Yan tinha que quebrar ossos ou rasgar o tecido do tosco vestido que ainda cobria aquele corpo.

No final, apenas manchas escuras de sangue coagulado, ossos e tecido sobraram sobre aquela improvisada mesa de gelo.

Ainda sem esboçar reação alguma, Eleazar assistiu Yan destruir a pilha de gelo com as próprias mãos, transformar tudo em pequenos pedaços de uma estranha nevasca que começou a cair ao redor deles, sendo levada pelo vento.

As mãos de Yan sangravam, seus olhos estavam vermelhos e seus lindos cabelos brancos agora estavam desgrenhados. Seus olhos cinzas buscaram por qualquer sinal de aprovação no rosto de Eleazar ou qualquer sinal de conforto no rosto de Ruri, mas não havia nada ali, apenas aquela nevasca escura, se misturando a branca nevasca que ainda caía no fim de tarde.

***


Selena parecia ignorar completamente a presença de Tohru ali diante dela. Treja estava abaixada ao lado da lareira, cuidadosamente empilhando pequenas toras de madeira e, num simples e pequeno gestos, as fez acender em vivas chamas.

O calor da lareira aos poucos enchia o ambiente, enquanto Selena continuava a encarar a janela, flocos de neve tocando o vidro, derretendo como lágrimas de uma chuva que não acontecia.

-Minha criança, tão bela e perfeita - ela tornou a sussurrar - você se perdeu - ele suspirou com pesar, como alguém que acaba de ver algo querido sumir.

As súplicas de Tohru pareciam não chegar aos ouvidos de Selena, agora presa em sua própria dor, seus olhos cinzas agora estavam correndo pelo cômodo, mas não se fixavam em nada.

Então, num rompante, ela se levantou e se aproximou de Tohru, sua mão fria e áspera tocou o rosto da mestiça, a pele quente e macia, viva de Tohru, nada tinha a ver com a pele daquela anciã.

O toque de Selena era duro como pedra, não havia mais o calor da humanidade naqueles dedos. Seus olhos cinzas corriam o rosto de Tohru e, por um breve momento, houve piedade neles, mas logo aquilo desapareceu.

-Você tem muitas palavras, as palavras das fêmeas de nossa família não são consideradas - ela completou e então virou-se para Treja - Traga os preparativos do casamento, eu cuidarei da noiva pessoalmente. Minha doce e perfeita cria - ela tornou a olhar pela janela por um momento.

Treja levantou-se e fez uma breve reverência, saindo apressada da sala.

Poucos instantes depois uma jovem vampira nobre entrou na sala, seus cabelos pálidos e olhos azuis foram quase que instantaneamente reconhecidos por Tohru, embora ela nunca tivesse visto a menina, mas as feições da jovem vampira lhe lembravam uma outra pessoa.

-Com licença - ela pediu em um tom educado e então entrou à sala ficando ao lado da lareira. Vestia um terno preto e camisa branca e seus olhos caíram sobre Tohru com raiva e pesar.

Selena ainda rodeava Tohru e sequer parecia ter notado a entrada da jovem nobre na sala. Selena parecia medir Tohru com os olhos, seus dedos por vezes ou outras tocando em Tohru.

Tohru pode então sentir mais presenças se aproximando e então quatro vampiros adentraram a sala.

Stelian vinha diante deles e ele trocou um breve olhar com Leina, mas a nobre apenas abaixou a cabeça e não lhe retribuiu o gesto. Ainda assim, Stelian caminhou de modo silencioso e se postou ao lado dela.

-Gran rainha e mãe Selena Yuriev - um vampiro ao qual Tohru não conhecia seguiu a entrada de Stelian, junto a ele vinha Treja e uma vampira nobre, um pouco mais velha, bastante debilitada - Para apagar de vez qualquer mancha de traição que possa ter ficado sobre nosso nome e como presente pelo casamento que esta por vir, trazemos a você nossa matriarca Mariah Bordea - ele então empurrou para frente a vampira fraca e sedenta, de vestes rasgadas, ela parecia estar aprisionada a algum tempo.

A vampira caiu diante de Tohru e Selena e só então Tohru pode ver que ela estava algemada também nos pés e que várias feridas cobriam a região dos pulsos e tornozelos. Ela grunhia, mas não se debatia, era visível que não tinha mais forças para tentar qualquer coisa, era visível que a sede lhe deixava em um semi torpor.

Stelian segurou a mão de Leina por um breve momento, enquanto todos os olhos estavam sobre a vampira no chão, mas sua expressão estava tão vazia quanto a de Leina. Eles apenas encaravam Tohru, como se a julgassem antecipadamente por algo que ela não havia feito.

O jovem então olhou para Tohru e lhe fez uma reverência.

-Senhorita Kuran, espero que com este presente nunca duvide da lealdade de nossa família - ele se ergueu e então se apresentou - Sou Jarvis Bordea e, além de nosso nobre sangue, também lhe entrego meus primos como seus criados para esta data. Eles lhe servirão até que o casamento seja consumado - ele sorriu, mas seus olhos se desviaram um momento para o ventre dela, sua expressão tornando-se curiosa, mas ele não fez nenhuma questão.

Selena então aproximou-se de Treja e sussurrou algo baixo, a criada assentindo algumas vezes antes de, mais uma vez, sair de forma apressada.

A matriarca Yuriev olhou então para dos vampiros que estavam ali, passando ao lado da vampira caída, que tentou-se segurar o vestido.

-Sua família sempre nos foi fiel - ela parou diante de Jarvis, mas olhava para Stelian e Leina - e acredito que não haverá motivos para retaliações, suas ofertas estão aceitas, seu nome estará nos convites - ela respondeu e então tornou a olhar para Jarvis - Agora preciso preparar a jovem noiva, serão longos anos mas ela deve servir para esta noite. Saiam - ela ordenou num tom baixo, mas a ordem fez até mesmo Tohru estremecer.

Stelian e  Leina foram os últimos a sair, lançando novamente aquele olhar acusador sobre Tohru, deixando a sala sem dizer qualquer palavra. Jarvis ainda fez uma última reverência antes de se retirar, mas seus olhos estavam novamente sobre o ventre de Tohru, um breve sorriso surgindo em seus lábios.

Uma vez a sós com Tohru, Selena tornou a rodeá-la e então arrancou-lhe o casaco num gesto rápido, deixando-a apenas com a roupa que estava por baixo deste.

-Tão tola que ainda deve se perguntar o que ele tanto vê em seu ventre. São ambiciosos aqueles que não tem sangue tão nobre. Raila está esperando um menino, Jarvis vê na cria que você traz dentro de ti uma chance de sangue real cruzar sua família, mesmo que seja em um mestiço - ela então parou diante de Tohru e somente naquele momento parecia prestar atenção à vampira.

-Daremos sua cria de presente a ele, já que implora pela vida dela, não tenha sentimentos pelo que carrega no ventre ou sofrerá ainda mais. Aprenda a aceitar, agradeça, ela vivera em uma família nobre e terá um esposo nobre, ou será apenas seu passado coberto por gelo - Selena então abaixou-se e ergueu o corpo quase em torpor de Mariah do chão, como se erguesse uma almofada, então caminhou para o fundo da sala, empurrando uma das partes da parede.

-Siga-me criança, esta na hora de suas ideias de contos de fadas acabarem, farei com que seu corpo agora seja o suficiente para gerar crias poderosas e que dure por longos anos. Seu corpo quase humano é tão inútil que se não carregasse este nome eu mesma teria prazer lhe dado de presente a Treja.

Elas então seguiram por uma escadaria, lances e lances, Selena arrastando aquele corpo como se fosse um pedaço de papel, tão contrastante à frágil aparência da vampira.

Logo chegaram a um local na parte interna do castelo, Tohru tremia com o frio intenso. Até mesmo ali a neve parecia cair e caia sobre uma estranha espécie de altar oval onde Selena colocou o corpo de Mariah.

Selena deu alguns passos para trás e então indicou a outra vampira para Tohru.

-Ficarei aqui para me assegurar de que ela não tente lhe induzir e para que cumpra seu papel - Selena anunciou e então aguardou os próximos passos de Tohru.






***


O caminho de volta foi longo e silencioso. A expressão de Yan estava vazia, assim como sua mente. Vez ou outra seus olhos caiam sobre Ruri e seu ventre ovalado, mas logo voltavam a se perder, nas curvas e curvas daquele labirinto de volta por dentro da montanha.

De volta a gruta, Eleazar passou pelos dois filhos, deixando-os para trás. Havia problemas maiores a resolver do que a fraqueza de Yan e, naquele momento, ele sentia que era sua hora de agir como ancião do clã.

Depois da patética demonstração que Yan havia lhe dado de suas fraquezas, ele precisava traçar um novo futuro e tudo aquilo dependeria dos acontecimentos seguintes.

Era hora de ter apenas os melhores vampiros em suas fileiras, era hora de concluir os testes que iniciara em Whistler, era o momento de testar todos os seus laços de sangue e de chamar a todos àqueles que lhes chamavam de pai.

Além disso, a perspectiva de ter um novo herdeiro vinha crescendo com mais força agora em sua mente. Ruri era poderosa e centrada, mas era uma fêmea e de nada valeria. Ele precisava de um novo herdeiro, um homem. Precisaria de uma fêmea jovem e pura, alguém que lhe desse mais do que duas crias.

***


O silêncio ainda imperava sobre as sensações de Yan, era estranho, mas dentro dele o sangue de Elizabeth começava a reviver, mesclando-se ao seu, trazendo aquelas lembranças que ele havia jurado a si mesmo enterrar no gelo eterno.

Mas agora aquelas lembranças tinham um estranho gosto férrico, um gosto apetitoso e, em meio a sua própria insanidade ele desejou que existissem mais mil Elizabeth para que ele pudesse então provar mais mil vezes aquela sensação que o sangue lhe trazia.
-Por que eu não lhe provei antes? - ele então sussurrou, caminhando ao lado de Ruri - Por que eu não lhe comi a alma, assim como fez aquele verme Murdock? Você sabe por que Ruri? - ele então parou e olhou para a irmã - Porque eu sou fraco - ele então depositou um beijo na testa da irmã e continuou a caminhar, apressando seu passo, afastando-se dela.







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MensagemAssunto: Re: Valeriu Mihaela   Qua 3 Fev 2016 - 22:31



Tohru estava apreensiva...Não sabia se havia sido ouvida ou não... Selena Yuriev parecia sequer lembrar-se que ela estava lá...O que haveria de errado com ela?E...De que criança ela estaria falando?Seria seu filho?
Já ia perguntar quando Selena a surpreendeu, indo até ela, tocando-a. Aquele toque gélido a deixou nervosa, tentou com todas as forças não recuar, nem demonstrar qualquer repúdio pra não parecer rude, permaneceu imóvel, encarando os olhos cinzas da Sangue-Puro. Por um instante, se encheu de esperanças pois vislumbrou algum sentimento neles... piedade, talvez? Difícil dizer, pois logo desapareceu como se nunca houvesse existido. E o que falou a seguir a deixou perplexa.
- Nani? O que?
“Preparar para o casamento?Como...Como assim?,pensou, confusa, olhando Treja sair enquanto Selena continuava rodeando-a, como se a examinasse.
A seguir, entra uma vampira jovem, possivelmente um pouco mais velha que a própria Tohru. Ela lhe lembrava muito alguém...Aqueles cabelos e olhos azuis...Parecia demais com aquele rapaz que a ajudara em Ambarantis e depois desaparecera...Steliam...
A matriarca dos Yuriev pareceu nem notar sua presença, continuando aquele estranho exame...Estava começando a se sentir desconfortável com aquilo...E a recém-chegada não tirava os olhos de Tohru, olhando-a com ressentimento...Mas nem sequer a conhecia!
Qual não foi sua surpresa ao ver o próprio Steliam entrar junto com outros dois...Então, ele realmente trabalhava para os Yuriev...Sua primeira reação foi sorrir e falar com ele, agradecer pelo que fizera por ela...Mas a expressão tão dura e hostil quanto a da jovem que entrara antes, possivelmente uma parente dele, a inibiu e manteve-se em silêncio. Logo em seguida, vinham um outro vampiro jovem com uma vampira mais velha que parecia enfraquecida...O que estava acontecendo, afinal?
Então aquela pobre senhora foi simplesmente jogada diante dela e de Selena. O primeiro impulso de Tohru foi ir até a pobre coitada e auxiliá-la de algum modo e então viu algemas nos pulsos e tornozelos bastante feridos. Levantou-se, voltando-se e ia perguntar o porque de tanta crueldade quando o outro vampiro se dirigiu a ela, se apresentando. Presente de casamento? Como assim?
Então Selena mandou que saíssem, de um modo que fez gelar sua espinha...O que viria a seguir?
Steliam e a jovem sairam ainda a olhando com raiva e o tal Jarvis, encarava seu ventre com cobiça, fazendo com que o cobrisse com as mãos, protegendo-o.
Voltando a rodeá-la após a saída deles, Selena a assustou, arrancando-lhe, repentinamente, seu grosso casaco de arminho, deixando-a apenas com o vestido leve e confortável que escolhera, imaginando que o castelo fosse aquecido como a mansão Kuran. Estremeceu, abraçando-se, com o frio que a envolveu.
As palavras duras da matriarca a fizeram se encolher de medo por ela e pelo futuro de sua criança...Era mesmo uma menina como suspeitava, então...Seria outra prisioneira ali a mercê deles...
Tohru obedeceu, seguindo-a, afinal, não tinha muita escolha...Ainda não compreendia bem o que estava acontecendo...Como assim aquela senhora era um presente de casamento? O que queriam dizer com isso? Aonde estavam indo? O que Selena queria dizer com aquelas estranhas palavras sobre torná-la mais forte para gerar filhos...Ela não entendia...Ou melhor, não podia acreditar na terrível ideia que lhe viera à mente num lampejo de revelação...Não podia ser...
Mas era. Teve a certeza quando Selena lhe indicou a vampira naquele macabro altar e a exortou a cumprir com seu papel.
Horrorizada, Tohru se afastou, lentamente, andando pra trás, de Selena e do altar.
_ Yuriev-Sama! Espera que eu cometa Fowlon com esta pobre senhora? Isto...Isto é uma abominação! É proibido! Eu não posso! - A jovem tremia de frio e de medo, mas procurou manter-se firme e de cabeça erguida.- Watashi...E-Eu vim até aqui somente para ver o meu bebê e conversar sobre o casamento com seu filho, Yan...Onde ele está? Por que não veio me receber?


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MensagemAssunto: Re: Valeriu Mihaela   Qui 4 Fev 2016 - 13:23




Selena continuava a observar Tohru, cada atitude da vampira e um ar de enfado caiu sobre seu rosto. Seria uma longa lição a ser ensinada, aquela jovem parecia simplesmente não saber ouvir ou obedecer ordens. Espera que o sangue de Mariah Bordea lhe desse um pouco mais de astúcia e que as lembranças ali contidas lhe ensinassem a ser uma nobre.


A jovem vampira clamava sobre o proibido, então a matriarca daquele clã de gelo e sombras se ergueu até ficar a dois passos de distância de Tohru, as mãos cruzadas caídas sobre o próprio colo enquanto parecia formular algo a dizer, como se escolhesse cada palavra que seria proferida.


-Proibido - ela repetiu e então olhou para as próprias mãos - É proibido caçar e matar puro sangues sem que estes tenham feito algo à sociedade humana que pudesse causar morte, pânico ou quebra do segredo de nossa existência, ainda assim Kaname Kuran exterminou boa parte de nós - ela mencionou.


-É proibido trair o príncipe do conselho local, ainda assim esta senhora ocultou traidores em sua casa e é por isso que, para limpar a mancha sobre o nome da família, ela esta aqui, para ser consumida e exterminada, conforme as leis de nosso território.


-É proibido amar e desejar a mulher de outro, ainda assim seu coração guarda desejos por meu belo filho. Você sabe que parte de ti anseia por vossa noite de núpcias, por saber como ele a tocara, como ele a possuirá e subjugara. Você anseio pela domínio dele como qualquer outra fêmea ansiaria.


-É proibido um puro sangue e um humano ter filhos, ainda assim você caminha sobre essa terra, guardando o melhor e o pior das duas espécies, portanto minha jovem, erga seus braços e abrace o proibido, porque sua existência por si só já é algo que não deveria ser.


-Anseie e deseje meu doce Yan, traga-lhe filhos, obedece nossas ordens e nós sempre lhe daremos o proibido de presente, a cada novo nascer do sol. Seu coração pode ser puro, mas sua alma esta corrompida por seus próprios desejos então pare de adiar o que você realmente é e se entregue para o que foi feita.


-Em segredo poderá ser este doce pássaro que almeja ser, poderá ter olhos ternos e inocentes, mas dentre nós você é apenas pecado então seja o pecado que esperamos que você seja. Use o nome que tem, use o novo poder que terá e seja sábia, não precisara opinar em nossas guerras, mas seja inteligente o bastante para apoiar nossas ideias.


-Eu odeio Eleazar, eu odeio no que ele transformou Yan, mas minha obrigação é amá-lo e lhe dar filhos e foi o que fiz e por isso cheguei onde estou e é isso que deve fazer - os olhos cinzas dela estavam sobre Tohru, cheio de vida de repente - eu vou sempre mentir pequena mestiça, isso me faz ser quem sou isso a fara ser quem deve ser agora, sugue o sangue desta vampira e coma seu coração, ressurja não como o rouxinol que sonha ser, mas como uma fênix, não seja mais a tola que tem sido e aprenda que agora você é uma Yuriev e esse nome tem o peso do gelo eterno, o peso de um império que ainda não foi erguido.


Selena então virou as costas para  a jovem vampira e retornou ao fundo da sala, quase oculta pelas sombras. O ar parecia mais frio e denso e os olhos de Selena estavam ligeiramente vermelhos.

-Faça - a ordem veio num sussurro como se viesse de um lugar distante, tão poderosa, agora sim a anciã que Selena era.





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MensagemAssunto: Re: Valeriu Mihaela   Sab 6 Fev 2016 - 1:15

A jovem mestiça se encolhia diante da figura majestosa que se aproximava como uma presa diante de seu predador. Cada frase proferida a atingia como uma flecha no coração e a aura poderosa da anciã ameaçava dominá-la por inteiro, quebrando sua frágil resistência.
"W-Watashi...E-Eu não sei porque Kaname-Sama fez aquilo...Mas aceitei porque sempre soube que nada de mau viria dele e agora começo a entender suas razões...", pensou, cada vez mais assustada, recuando passo a passo enquanto olhava para Selena, sem perceber, que tornava a se aproximar do altar de pedra.
Citação :
-É proibido amar e desejar a mulher de outro, ainda assim seu coração guarda desejos por meu belo filho. Você sabe que parte de ti anseia por vossa noite de núpcias, por saber como ele a tocara, como ele a possuirá e subjugara. Você anseio pela domínio dele como qualquer outra fêmea ansiaria.

-Não!- gritou, sacudindo a cabeça, entre lágrimas.- É mentira! Eu...Eu não...- seus protestos foram morrendo em sua garganta porque ela bem sabia que era a mais pura verdade, desgraçadamente...
Citação :
...Você acha que eu nunca notei o que você sente por Yan Yuriev? Nunca notei os seus arroubos e suspiros, sua tristeza quando ele era mencionado? 

As palavras acusadoras de Marshall rasgavam-lhe a alma sensível, dilacerando-a por dentro mais uma vez, enquanto ela tentava tapar os ouvidos numa tentativa vã de fugir daquela tortura.
Citação :
-É proibido um puro sangue e um humano ter filhos, ainda assim você caminha sobre essa terra...

"Aberração! Aberração! Mestiça imunda!"

"A criatura mais pura e perfeita que já conheci..."

As perseguições que sempre sofrera e as palavras gentis do ancestral Kuran se confundiam em sua mente atormentada. Tohru já quase se encostava no altar.
Citação :
Seu coração pode ser puro, mas sua alma esta corrompida por seus próprios desejos então pare de adiar o que você realmente é e se entregue para o que foi feita... Faça!
...
"Ela...Ela está certa...Este é o Ponto Sem Retorno...Não tenho escolha, a não ser obedecer...Ao menos, por enquanto..., pensou, dando as costas para a matriarca dos Yuriev e se aproximando lentamente da vampira no altar. Os olhos tornando-se avermelhados, as presas rompendo as gengivas delicadas, uma sede avassaladora surgindo e dominando sua vontade juntamente com a influência poderosa da anciã, tornando difícil qualquer pensamento consciente.
Ainda assim, Tohru debruçou-se delicadamente sobre a vampira mais velha largada na pedra fria. Com gestos suaves e fluidos, afastou-lhe os cabelos desgrenhados e expôs-lhe o pescoço, buscando a carótida pulsante. Deu um suave beijo no local e passou a língua, sussurrando-lhe antes de fincar as pequeninas porém afiadas presas.
-Gomennassai...Eu sinto muito...Sua morte não será em vão...Eu prometo...
Então a mordeu e começou a sugar o sangue...A princípio, lenta e hesitante, mas logo tornou-se mais e mais voraz, o instinto dominando a natureza gentil e bondosa. Uma nuvem sanguínea toldando-lhe a consciência.
Em poucos minutos secou-a, deixando o corpo cair novamente no altar sinistro. Faltava o principal. Como uma sonâmbula, arrancou o coração da vampira e comeu o órgão ainda quente. Quando terminou, o corpo sem vida desfez-se em cinzas.
Coberta de sangue da cabeça aos pés, Tohru tremia. Não de frio agora, mas pela quantidade de poder, memórias e sensações que eram absorvidos de uma vez só. Sobrecarregada, física e emocionalmente, deixou-se envolver pela escuridão e caiu, inconsciente, no altar onde há pouco jazia Mariah Bordea.


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MensagemAssunto: Re: Valeriu Mihaela   Sex 12 Fev 2016 - 13:53




A água estava morna e repleta de óleos aromáticos, um criado esfregava de maneira monótona mas firme às costas pálidas do vampiro. Yan jazia com os braços apoiados em cada lado da imensa banheira de mármore claro.


Ele sabia que Tohru estava no castelo, conseguia sentir a presença da mestiça, mas ela parecia estar em alguma das catacumbas, numa ala distante de onde ele estava agora e ele podia sentir claramente a presença de sua mãe ao lado dela.


Yuriev fechou os olhos cinzas e inclinou-se para trás, agora o criado lhe esfregava o braço estendido, a essência do óleo perfumando sua pele. não que aquilo fosse necessário, seu aroma natural era agradável e atraente, ventos de uma noite de inverno.


Mais essência aromática foi jogada em sua água morna, outro criado entrava, agora trazendo os trajes típicos de casamento, colocando-os sobre o balcão do banheiro.


Luzes de inúmeras velas iluminavam o local de maneira agradável, elas logo seriam trocadas para a noite de núpcias e todo o lugar seria redecorado. alguns dos itens a serem usados já estavam ali, como alguns sacos com pétalas azuladas, óleos e outras velas.


Ele deixou um sorriso escapar dos lábios. Sua noiva estava grávida de outro homem, o que esperavam que ele fizesse com ela afinal? Uma ideia lhe veio a mente, fazendo-o inspirar profundamente, um lampejo passando por seus belos olhos cinzas.


Ele finalmente se ergueu, a água escorria por sua pele alva, por seu corpo magro mas bem feito, como uma escultura de mármore antiga. Não havia cicatrizes em sua pele, mesmo após séculos e batalhas.


Seus cabelos lhe caiam pelo ombro, preso em uma trança, uma bela mortalha branca e pura, assim como a aparência que externava ao mundo, como um anjo recém criado e colocado sob o orvalho da manhã.





As chamas dançavam em sombras sobre sua pele e logo seu corpo foi envolvido por toalhas trazidas pelo mesmo criado que o banhara. Yan esboçou reação alguma, deixando seu corpo ser seco e em seguida vestido com os trajes típicos de sua região.


Ele sequer se olhou no espelho, apenas se deixou ser conduzido por seus criados, retornando novamente ao seu quarto.


Taças do mais nobre sangue jaziam sobre uma mesa, ao lado de frutas frescas e pães. Ele se aproximou e tomou uma das taças, levando-a aos lábios rosados e sorvendo um longo gole. Era sangue de seu próprio pai e aquilo o trouxe um pouco de volta à realidade. O que Eleazar queria com aquilo?


Ele então tomou a outra taça e esta estava repleta de sangue de sua mãe.


“Lealdade ao verdadeiro rei” - ele pensou enquanto bebia aquele sangue poderoso, sentindo suas veias repletas pelo poder que aquele vitae tinha.


Uma taça menor, com um sangue mais adocicado, um sangue que lhe atiçou e avermelhou seus olhos. O sangue de Ruri.


“Lealdade à família” - ele lambeu a taça do mais puro ouro branco e a recolocou sobre a mesa, tirando então algumas uvas do cacho e provando. Elas tinham sabor de terra comparado ao sangue que acabara de ingerir.





Ele sentou-se em um dos sofás de seu quarto e ficou observando a janela. a neve caia com flocos finos e o céu se tornava claro, anunciando o meio do dia, mesmo com o sol encoberto.


Sua mente vagava ainda pelos corredores da grutas, sua boca ainda remoía a carne fria e gélida de sua amante do passado. Ele ergueu a mão até o rosto e então afastou seus longos cabelos, colocando mais uma uva entre os dentes e rompendo a fina pele da fruta. O doce líquido escorreu por seus dedos e ele lambeu.


Estava agora com Ruri, estava sentindo novamente o calor daquelas emoções, mas ela nada lhe revelava e aquilo era frustante. Ainda assim ele se entregava à loucura de todo aquele amor platônico,a té que finalmente o fruto de seu sangue brotava no ventre dela.


Então Tohru, então aquele pássaro que cantaria em sua janela, numa gaiola de ouro e gelo, por quanto tempo aguentasse.


Aquilo realmente fora um golpe de mestre, aquilo lhe garantiria voz no conselho de Ambarantis, o principal conselho. Aquilo abriria caminhos para seus futuros planos e os planos de seu pai.


Ele se levantou e se aproximou da janela, criados agora enchiam seu quarto, pétalas eram derramadas em todos caminhos, velas eram acesas, aromas subiam das chamas delas.


Mas os olhos de Yan estavam fixos na neve que caia, porque ela caia também dentro dele.





O salão do castelo estava repleto de mesas, criados iam e vinham de forma apressada, ornamentando cada uma delas com flores azuis e brancas. Placas com os nomes dos mais nobres vampiros da Europa Oriental estavam ali, famílias de puro, famílias cujo sangue era tão valioso que reuni-las ali era quase um erro fatal.


Mas Eleazar havia entregue a maioria dos convites escritos por Yan e quando um ancião bate à sua porta, você o permite entrar e se ele lhe convida à sua casa, você aceita.


Apesar do movimento no salão, a ante sala era ainda mais disputada, haviam três vampiros sentados em cadeiras de espaldar alto, o estofado creme decorado com bordados dourados, todos com taças em suas mãos.


Eleazar estava na cadeira do meio, tendo Denis Kalladori ao seu lado esquerdo e Vladimir Viorica ao seu aldo direito.


Denis tinha uma postura séria, tão distante daquele jovem vampiro inconsequente que aparecera em Ambarantis com Alana.


Os três tinham taças em suas mãos, mas estas estavam vazias.


A sala estava em silêncio, vampiros nobres se espalhavam por cada canto, homens e mulheres, aguardando o que estaria por vir.


Ruri Yuriev então entrou na sala. Ela se vestia delicadamente de renda e pérolas, uma verdadeira princesa, seu belo cabelo branco preso por grampos de ouro branco ornamentados com safiras.


Sua expressão era vazia e distante, seus olhos estavam incomodamente fixos na lâmina que trazia sobre uma almofada roxa.


Ela se ajoelhou diante do pai, a cabeça baixa, uma postura total de submissão e então Eleazar pegou a lâmina prateada de sobre a almofada.


Ele aguardou até que Ruri se retirasse e então estendeu o próprio braço, fazendo um intenso corte em seu pulso. Logo o aroma do poderoso sangue de ancião se espalhou pela sala, olhos vermelhos caindo sobre as gotas que manchavam o tapete de pele branca.


Eleazar ergueu seu punho, forlando sua mão a fechar, deixando o sangue encher a primeira taça, então a segunda e a terceira. Longos minutos de tensão e silêncio corriam como séculos, enquanto até mesmo os puro sangues que o cercavam tinha os olhos vermelhos e famintos.


Denis e Vladimir seguravam as taças repletas de sangue ancião até a borda, então tomaram um gole longo, seus pomos de Adão mexendo-se ao ingerir a bebida, os olhos fechados em deleite. Eles então ergueram e ofereceram as taças para as demais famílias nobres e o mesmo fez Eleazar.





-E assim, por este terceiro dia, selamos nosso pacto - Denis e Vladimir disseram em uníssimo enquanto assistiam aos demais nobres degustarem, cada um um gole, do sangue poderoso de Yuriev.


As taças foram trazidas de volta e todos se postaram em seus lugares novamente, alguns murmúrios e comentários foram ditos, mas nada relevante de fato.


Eleazar recostou-se em sua cadeira, seus olhos caindo sobre todos dentro daquela sala. Era hora de começar a verdadeiramente reinar sobre a Romênia, sobre o mundo.


-Senhores - ele começou e todos os vampiros voltaram seus olhos para o ancião -
Vivemos por milênios à sombra de uma raça inferior, uma raça que vem se destruindo a cada novo dia, uma raça que não se limita dentro de sua própria maldade. Somos clamados como amaldiçoados e somos postos ás sombras da noite por sermos ditos assassinos, mas à humanidade vem se degradando e destruindo ainda mais o planeta que habitamos, assim como eles.


-É preciso empoderar ainda mais nossa espécie, é preciso fortalecer nossos laços para que então possamos dominar de uma vez por todas a terra que habitamos há tanto tempo quanto esta sub-raça.


-Precisamos criar um exército forte, disposto a morrer e para isso precisamos de sangue. Apenas o sangue fortalece o sangue.


-Minha família esta disposta a lutar por todos vocês, temos hoje o necessário para construir um verdadeiro império em nosso solo e abrigar a cada um que abrace nosso ideal. Seremos fortes, seremos unidos e estou aqui cedendo a cada um de vocês meu próprio sangue para provar que não quero o poder apenas para mim, mas para cada um de nós.


-Humanos são a maldição do planeta e em breve travarão tantas guerras que tornarão nosso solo inabitável. Pereceremos todos! - ele ainda tinha o pulso aberto, mas o sangue já havia estancado.


-Em troca eu lhes peço também vosso sangue, pois um império só pode ser erguido com tijolos presos de maneira sólida.


-Em nossa sociedade temos o sangue necessário para transformar um simples exército humano em uma arma letal, em nossos cofres temos o dinheiro necessário para calar qualquer mídia e em nossas casas temos os criados perfeitos, presos à nós por laços eternos. Por que não usá-los para algo maior, por que não dar propósito à vida deles?


-Clamo à cada família que, depois desta união entre meu sangue e o sangue Kuran, tragam àqueles de sangue fraco a nosso castelo, faremos um exército a ser temido, teremos a humanidade no lugar que ela sempre deveria estar, salvaremos o mundo da espécie humana e finalmente reinaremos.


Ele então se ergueu e olhou para cada um dos que ali estavam, sua aura parecia massacrá-los e alguns chegaram até mesmo a recuar.


Cabeças se moveram de modo afirmativo, outras permaneceram imóveis, mas Eleazar sabia que, após provarem seu sangue pela terceira vez, não haveria como eles lhe negarem a vontade.


-Hoje são todos meus convidados, bebam e comam de minha comida, celebrem comigo a união de meu filho pois amanhã, amanhã falaremos de guerra! - ele então tornou-se a sentar e vários vampiros se aproximaram.


O reinado de lealdade de sangue começava ali.







Selena assistia de modo impassível cada passo de Tohru dentro daquela sala, seus olhos cinzas acompanhavam as reações dela à suas palavras. Selena havia vivido demais para se perder com as máscaras de jovens de coração puro e alma corrompida. Ela mesmo havia ajudado a todas a corromperem ambos.


Por fim aquela tola mestiça cedia e Selena pode respirar aliviada, afinal estava pronta para enfiar o coração de Mariah pela garganta de Tohru se fosse necessário, mas não queria ferir a noiva antes do casamento. Ela já seria ferida o bastante depois.


Selena se aproximou de maneira quase dócil quando a vampira começou a tremer. Sabia que um corpo frágil e quase humano como aquele poderia se romper diante do poder de um vampiro nobre, ainda mais um como Mariah. Mariah era uma vampira antiga e
Selena ainda não acreditava como ela pode ser tão tola, ainda mais para ocultar um mestiço bastardo de sua família.


Ela delicadamente tomou Tohru em seus braços, afastando os cabelos sujos de sangue do rosto da jovem vampira, notando algumas mechas brancas surgirem entre os fios castanhos. Era impressionante como aquele sangue transformava em gelo tudo o que tocava. Aquela vampira certamente renasceria de dentro dela mesma.


Selena então ergueu Tohru até próximo de seu rosto, mordendo os próprios lábios, ferindo-os e se aproximando dos lábios entreabertos de Tohru, pousando-os delicadamente, deixando o sangue fluir de sua boca para a boca da jovem mestiça.


O beijo durou por alguns minutos,a té que Selena julgara que Tohru tinha sangue o suficiente para começar a criar um laço com ela.


A vampira anciã então ergueu o corpo em seus braços e arrancou o vestido sujo de sangue, deixando o tecido ali em meio às cinzas de Mariah.


Ela subiu escadas do lado oposto por onde tinha vindo e saiu em corredores com inúmeras portas e caminhos, logo estava dentro de um quarto onde Treja e mais algumas criadas aguardavam.


Um belo vestido de noiva jazia sobre a cama, bem como um buque de rosas azuis, os caules ainda com espinhos, as flores atadas por um laço branco.


-Apronte-a - ela ordenou e as vampiras tiraram o corpo nu de Tohru de seus braços, levando-a para o banheiro, depositando-a dentro da banheira de água morna. Logo a água estava tingida de vermelho e transbordando pela borda, enquanto as criadas limpavam o corpo e os cabelos de Tohru.


Ao final, ela levaram a jovem vampira à cama, onde secaram seu corpo e vestiram as roupas debaixo, perfumando sua pele e secando seus cabelos, maquiando seu rosto e ornamento seus pulsos com joias.





Ao finalizarem, deixaram Tohru a sós com Treja, que aguardou que a vampira acordasse para lhe colocar o vestido.





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MensagemAssunto: Re: Valeriu Mihaela   Sab 13 Fev 2016 - 0:30


"Estava tudo tão escuro e frio...Estaria morta? Talvez fosse melhor assim...Era uma tola fraca que não servia pra nada...Seus pais foram mortos pelo homem com quem agora seria obrigada a se casar, seu tio a odiava, julgando-a uma traidora, Marshal também morrera a odiando e não fora capaz de deixar seu bebê num lugar seguro, seus avós podiam até ter morrido por sua causa também..."
Tohru viu uma luz brilhante e a seguiu, resignada. Então, surpresa, viu o vulto de Marshall bem à frente de costas seguindo para a luz também.
-Anata! Matte, kudasai! Me espere! - ela gritou e apressou o passo atrás dele, seguindo-o. Agora tinha certeza:estava mesmo morta. Não suportara toda a carga de poder da anciã nobre.Lamentava por sua criança, mas pela vida que lhe reservavam, talvez fosse melhor assim...
Quando o alcançou, viu-se num quarto muito amplo e luxuoso e estava vestida de noiva.Não um tradicional kimono japonês como em seu casamento com Marshal, mas um ocidental, belíssimo, parecendo Alta Costura. 
- Mas o que..? Ainda estou no castelo dos Yuriev...- pensou, decepcionada.
- Está, minha princesinha amada, mas só ficará se assim quiser...- soou ao seu lado uma voz muito conhecida e que achava que nunca mais ouviria.
- Oto-san?! - olhou para a mulher ao lado dele, uma humana muito bonita, de cabelos curtos castanho-avermelhados e olhos verdes como os seus.- Oka-san?!
- Kotori-chan...- Marshall olhava pra ela, cheio de ternura.
-Anata...Anata! Gomennassai!- ela se atirou nos braços dele, chorando.Ele a acolhe, com lágrimas nos olhos, mas logo a afasta.
- Watashi-no-ai, você não tem do que se desculpar...Mas não temos muito tempo...Precisamos que nos escute e escolha se quer ir conosco ou ficar e tentar mais uma vez...
- C-Como assim?Não entendo...
-Ouça...- diz Katsuya, se abaixando e pegando as mãozinhas da filha.- Você precisa aproveitar a chance que recebeu com o poder que acabou de absorver. Não desista ainda...Estamos sempre com você. Você nunca foi fraca, nem tola, minha filha...Você é apenas pura demais pra esse mundo e as pessoas não estão preparadas pra isso, mas você pode usar isso a seu favor. Não se sinta culpada. a senhor Bordea também não a condena pelo que fez. 
A vampira nobre também estava ali, mas a observava em silêncio, serena, a olhando com tristeza, mas sem acusação.
- Tohru-chan...-sua mãe sorriu pra ela e tomou o lugar do pai junto a ela.- Lembra da história que vovó Tohru sempre lhe contava sobre como conheceu o primo Hatori? O que ele perguntou a ela e o que ela lhe respondeu?
- Hai... demo, por que...
- "O que acontece quando o gelo derrete?", essa era a pergunta.- seu pai falou, com um sorriso enigmático.
- " A Primavera chega."- ela recitou, mas seu semblante era triste e desanimado.- Mas aqui o gelo nunca derrete, Oto-san, Oka-san...Como o lema deles... "Eterno como o gelo"
-Querida Tohru, somente uma coisa é eterna, por mais que eles achem o contrário, e você cantou isso na noite de Natal, lembra-se?- disse Kyoko, se levantando e se colocando ao lado do marido.
Eles começavam a sumir.
-Você pode fazer a diferença, querida...Se se tornar forte e nunca desistir...O Amor é a resposta. Mas a escolha é sua. Pode seguir conosco e tentar de novo na próxima vida ou ficar e tentar quebrar a maldição que Yan-Tao lançou a milhares de anos. Como sua avó fez com os Sohma. Ela não desistiu de salvar seu avô Kyo. Agora é sua vez.
Tohru olhou pra eles e pra Marshall.
- Não sei se consigo...Eles são muito fortes...
- Acredite na sua própria força...Você é pura luz e calor num reino de trevas e gelo. Eu acredito em você, filha.- disse Katsuya, a abraçando.- Estaremos sempre com você. Na verdade, você sabe disso...
- Não duvide de si mesma e nem de nosso amor, Watashi-no-ai...- Marshall a abraçou e beijou.- O Amor sim é eterno...Cumpra seu destino e acabe com esse ciclo interminável para que possamos ser felizes juntos...
-Seja a Primavera para ele, Tohru-chan...Seja a Primavera...- falou a mãe, enquanto eles sumiam todos, deixando-a só.
Alguém tentava despertá-la. Chegara a hora. Todos já sabiam qual seria sua escolha, na verdade...Tocou o ventre, pensando na mãe e lembrou das gracinhas de Katsuya com as folhas secas como o pai a fazia rir com rodamoinhos de folhas quando ela era criança.
-Wakata...Serei a Primavera...Não vou desistir...
E abriu os olhos.
Treja a ajudou a sentar-se  e começou a vesti-la e penteá-la. Tohru, alheia, deixou-se manipular, tentando ordenar os pensamentos, lembrando do que acabara de lhe acontecer e do sonho que tivera...Fora mesmo um sonho?
Quando terminaram, Tohru se olhou no gigantesco e luxuoso espelho a sua frente, mal se reconhecendo. Parecia ter desabrochado nas últimas horas...Não era mais uma menina e sim uma mulher...Linda...Parecia uma princesa de contos de fadas pronta para o casamento com seu príncipe...embora, na verdade, se sentisse como se estivesse indo para sua execução...
Tocou as mechas brancas nos cabelos...Sentia-se diferente em outros sentidos também...Mais forte...Mais serena... Yuriev a reconheceria?
- Está na hora, senhorita Kuran...Seu noivo a aguarda.-disse Treja.
-Me dê só um minuto sozinha, por favor...
A criada aquiesceu depois de um instante de hesitação. Tohru se aproximou do espelho, tocando a superfície fria. Encostou a testa por um segundo. Em seguida se afastou e começou a cantar.

Sentiu como se um peso saísse de suas costas e suas forças se renovassem. Não havia mais dúvidas em seu coração. Estava pronta.
- Senhorita Kuran...
-Estou indo...- respondeu pegando o buquet de rosas azuis. Um dos espinhos a feriu mas ela não se importou, sugando o próprio sangue.
- A Primavera chegou...-murmurou antes de sair 


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MensagemAssunto: Re: Valeriu Mihaela   Dom 14 Fev 2016 - 9:11

Ruri Yuriev

Loucura. Parecia um mal que acometia cedo ou tarde os membros do nosso clã. Mas o que dizer da cena grotesca que presenciava se desenrolar em frente à mim?
A loucura dos Yuriev, sim, sempre foi banhada em sadismo e megalomania. Não que isso fosse repudiado ou censurado, pelo contrário, era isso que nos fazia ser quem éramos. 
Mas ali... Yan.
Não era ele, ou pelo menos não era mais "aquele" Yan. Algo estava mudando al a cada mordida, cada rasgo naquela carne antiga e congelada. Aos poucos uma ou outra mancha de sangue surgiam, mas não havia sangue, só gelo. Um cadáver gelado, uma caverna gelada sendo devorados por um vampiro que se tornava mais frio ainda com cada mordida que dava.
Nunca em nenhum momento de minha existência, mesmo conhecendo as histórias, pude entender a relação de Yan com a humana. Mas agora, ali, vendo a loucura que lhe tomava frente aquele cadáver me fez perceber um pouco sobre a dimensão daquilo. 
Uma onda de asco me subiu, revirando até a criança em meu ventre que parecia compartilhar disso, mesmo que nada em minha expressão imutável demonstrasse o quão infadonho aquele show desnecessário parecia para mim.
Ao final, senti que Yan me olhava novamente. Parecia buscar algo em mim, mas eu me fechei. Era melhor ser engolida pela minha mente de novo do que transparecer ali tudo o que eu pensava disso.
~

Agora, eu estava novamente chegando a ala que se transformaria no local para Yan e a mestiça. Se quer percebi o frio da caminhada de volta ou os corredores que já não pareciam mais tão intermináveis. Eu estava perdida dentro de mim novamente.

Eleazar se afastava, continuando o caminho por si só agora e talvez isso tivesse permitido aquela aproximação de Yan, pois mesmo quando estava perdida dentro de mim eu o sentia.
Aquele seu sussurro só me fez perceber ainda mais o quão Yan estava perdido. Não sei se esse ato de Eleazar ajudara ou revivera um Yan que deveria permanecer com aquele cadáver no gelo, mas era com ele que eu teria que lidar.

Eu não o respondi. Eu se quer virei meu rosto em sua direção para ouvir suas palavras. Eu lhe seguiria, sempre. Mas nunca ia compartilhar desse gosto por qualquer humano.
Yan não iria me arrastar para suas memórias de Elizabeth.
Senti seu beijo em minha testa, mas meus olhos continuaram vazios, como se não encarasse nada, ninguém. Como se fosse novamente aquela boneca cega, surda... mas não muda.


~ Cuidado, Mic fratele... - meus olhos se ergueram por um único momento, olhando profundamente nos dele. ~ A mente é um lugar muito maior que o próprio mundo... é tentador se perder...

Eu me virei, permitindo que ele se afastasse enquanto eu seguia em minha própria direção. A sede me assolava novamente enquanto a cria em meu ventre se remexia. Eu podia sentir suas vontades, sentí-lo conversar comigo.
Eu já estava perdida em minha própria mente. Mas aquele pequeno ser parecia me alcançar.




Agora, eu estava ali. Naquele salão cheio dos vampiros ao qual papa buscava a aliança para seu exército. Cheios daqueles vampiros que vieram presenciar a união de Mic fratele À mestiça. 
Mestiça.. Isso ainda se revirava dentro de mim. A história com a humana, a história com a mestiça. Eu sempre faria tudo para proteger Mic fratele, mas se tornava mais difícil a cada decisão dessa.
Eu sabia, eu via nos olhos de Eleazar como ele via Yan e sentia que nenhuma dessas decisões o ajudava. Papa não o via como seu herdeiro e parecia não querer mais vê-lo assim.
Minhas mãos correram sobre o ventre discretamente. Seria essa cria capaz de mudar algo? Seria sua vinda ao mundo mudar a forma que os olhos de Eleazar viam Yan?
Fraco. Isso era tudo o que parecia escrito em sua expressão cada vez que fitava-o.
Meus olhos se demoraram naquela faca pois eu sabia dos ritus, sabia o que viria e minha garganta queimava ainda pela sede.
Mama estivera ocupada com a mestiça e eu não daria sangue de criados à minha cria. Ele seria forte, o mais forte de todos.
Após as primeiras estapas e o discurso de Eleazar tomei um lugar ao canto do salão, de pé, sem que observasse ralmente alguma coisa. 
Mesmo em minha prenhez, os olhares sobre mim nunca cessavam, embora dentro de minha própria casa fossem comedidos. Mas eu já havia aprendido À séculos a ignorá-los. A não ligar para a ralé. Só havia um com quem me importava.
Era nesses momentos que eu me permitia entrar ainda mais em minha mente.
Eu continuava sendo a perfeita boneca dos Yuriev.


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MensagemAssunto: Re: Valeriu Mihaela   Qui 18 Fev 2016 - 12:04




"I just want you to know who I am"


O aroma doce de essências enchia cada vez mais o quarto. Yan Yuriev se levantou e ajeitou o último adorno de seu traje de noivo, um chapéu com enfeites em pérolas e plumas, feito de pele de animal.

Ele o colocou sobre a cabeça e olhou uma última vez para aquela neve que caia. Estava nevando naquela noite também, a única noite onde ele havia sido ele mesmo, a noite após ele ter resgatado Ruri e Ruri ter salvo sua vida. Os dois compartilharam mais um fowlon, compartilharam novamente o sangue que corriam em suas veias.

Fortes, restabelecidos, desesperado por quase perder aquela parte dele, aquela que o salvara de decair ainda mais em sua própria depressão e loucura ele finalmente decidira que aquela seria uma noite deles, apenas deles, ele não queria que Ruri fosse sua boneca, ele queria entrar na mente dela, ao menos uma vez, ele queria conhecer ela de verdade e que ela o conhecesse de verdade.




Yan havia guiado o carro em silêncio pelas ruas de Slatina, sentindo o vento frio contra seu rosto. Suas roupas estavam sujas e rasgadas, mas ele estacionou o carro numa loja de conveniência qualquer e pediu que Ruri lhe esperasse ali.

Ele tinha um sorriso doce no rosto, algo que Ruri jamais havia visto, algo que certamente a deixara curiosa sobre o que viria. Afinal, por que não estavam voltando para o castelo Yuriev? Por que não estava indo para a montanha? Yan sequer telefonara para Eleazar para reportar seu sucesso, que tudo havia dado certo.

Ele voltou, trazia em suas mãos um pacote pardo e ainda sorria, milhares de pensamentos corriam sua mente, inclusive sombras desenhadas na neve. Era estranho para Ruri sentir a aura que emanava, pela primeira vez, do jovem puro sangue.

Ele colocou o pacote no banco detrás e voltou para dirigir o carro, ruas e mais ruas, enquanto a tarde caia escondendo a luz sob os prédios do lugar.

- Vreau doar să știi cine sunt  - ele a olhou quando finalmente entraram em uma rua com pequenos prédios ao longo do caminho.

Ele saiu do carro e deu a volta, indo até a parte detrás e apanhando o pacote, o som de vidro batendo contra vidro foi ouvido claramente. Ao sair do carro Ruri pode perceber que estavam em um prédio de apartamentos recém-construídos, alguns poucos já habitados.

Yan a guiou pelos corredores até chegarem a uma porta, ele tirou suas próprias chaves do bolso e pareceu procurar a correta, demoraram alguns minutos, mas ele acertou de primeira e a maçaneta girou.

Era um apartamento comum, ainda com cheiro de novo e alguns poucos móveis, certamente um local de caça do irmão, onde ele levava suas vítimas, ou mesmo um refúgio de descanso.

Yan abriu o pacote e retirou uma garrafa dali, abrindo-a com um gesto largo e gracioso, a espuma de uma champagne barata começou a gotejar no chão. O que era aquilo afinal?

Ele ainda sorria quando se aproximou, tomando um longo gole da garrafa e tocando-a delicadamente sobre os lábios de Ruri, ainda oferecendo a bebida.

Ruri encarava Yan como se ele houvesse enlouquecido e sim, ele sentia exatamente isso, loucura, uma verdadeira loucura, como há anos não sentia, como quando conhecera aquela humana.

“Humana” - Yan se surpreendeu ao pensar em Elizabeth daquele modo, pela primeira vez.

Sem nada dizer, ele esperou que Ruri tomasse um, dois, três goles e então se aproximou, retirando a garrafa de sua mão, tocando seus lábios nos dela.

- Vreau doar să știi cine sunt  - ele repetiu e então e beijou longamente.




- Vreau doar să știi cine sunt   - Yan se ouviu dizer enquanto olhava para a neve. Um criado tocou em seu ombro e ele retornou a realidade, olhando para o mestiço que ousara toca-lo, seus olhos cinzas congelados sobre o rapaz.

-Me perdoe milord, mas eu o chamei por diversas vezes - ele comentou, o olhar baixo. Sabia que, de alguma forma, aquilo não passaria impune.

Num gesto rápido Yan criou uma lâmina fina de gelo em sua mão, erguendo-a para a garganta do rapaz, fazendo um corte limpo e reto.

Yan apanhou a taça sobre a mesa e a encheu com aquele sangue quente, porém pobre, tomando-a em um único gole, ainda encarando o jovem que permanecia ereto, porém olhando para o chão.




Yan jogou a taça sobre a mesa e então se afastou, saindo do quarto em direção ao salão onde deveria aguardar a noiva.

O corredor estava cheio de criados que trocavam as velas de cera comum, por velas perfumadas, varriam o tapete e ajeitavam as cortinas. Por que tudo aquilo? Por que ele decidira casar-se com Tohru Kuran e não com Ruri? Por que toda aquela farsa por poder?

As portas do salão se abriram quando ele se aproximou, a maioria das mesas já estavam ocupadas, Eleazar e Selena estavam em pé sobre a parte elevada do salão, uma espécie de pequeno palco.

Ruri estava ao lado de Selena, um degrau abaixo, vestida com um lindo vestido de renda e ele teve que conter toda a admiração e desejo que as lembranças daquela noite trouxeram e se concentrar em se apresentar perante seus pais.

Eleazar desceu os dois degraus que separavam o “palco” do resto do salão e então se aproximou de Yan, olhando-o por longos segundos em silêncio. O que quer que tenha visto o deixara desgostoso e ele se afastou após tocar o ombro de Yan.




Yan abaixou a cabeça. O que mais poderia fazer para agradar àquele homem? Quão mais teria que se entregar ao sonho de poder que Eleazar tinha?

Foi a vez da mãe ir até ele, o olhar mais complacente, mas ainda assim tão neutro que não havia como tirar confiança ou amor dali. Ela tomou o braço do filho e o guiou à subir os degraus. Ele seguiu, tocando na mão de sua mãe, sentindo a pele fria e áspera da senhora.

Sequer despejou um olhar sobre Ruri, depois daquele primeiro momento, ficando então entre seus pais, aguardando que Tohru fosse trazida.

Os convidados faziam comentários positivos sobre sua aparência e ele acenou para uma ou duas mesas com famílias mais importantes.

Stelian e Leina ocupavam seus lugares na mesa do clã Razvan, os dois elegantemente vestidos.

“Eu devia ter eliminado Stelian” - Yan pensou, acenando para o jovem que lhe virou o rosto - “Ele tem sangue traidor, mas agora minha futura esposa também o tem. Mas ela sempre foi uma traidora afinal” - ele tornou a olhar para frente, para a porta agora aberta.

“Eu devia ter matado a todos…” - ele continuou a olhar para o corredor ainda vazio, apenas iluminados por velas.

“Eu vou guia-los, todos, à morte” - ele soltou delicadamente seu braço do braço da mão e cruzou as mãos em frente ao corpo. O sangue fresco descia por sua garganta, sangue de seu pai, de sua mãe e de… Ruri.

“Eu comandarei…” - ele então ergueu seu queixo e olhou de forma soberana sobre todos ali.

“Você é o milionésimo de seu nome, você não é o rei de nada!” - a voz de seu pai então invadiu sua mente e ele estremeceu, mas manteve seu olhar sobre os demais.
“Eu sou Yan Yuriev” - ele respondeu, calmamente em sua mente - “E eu vou guia-los”.







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MensagemAssunto: Re: Valeriu Mihaela   Sab 20 Fev 2016 - 19:58

Achava mesmo que estava pronta para aquilo? Estava enganada...Os longos corredores do faustoso castelo sucediam-se num labirinto sem fim e Tohru sentia-se cada vez mais angustiada, embora pouco ou nada transparecesse no belo rosto, discretamente maquiado, como conveniente a uma noiva. Ela se mantinha olhando sempre em frente, fitando o vazio, perdida em seus pensamentos e lembranças.
Noiva...da primeira vez seu coração mal cabia no peito de tanta felicidade...Marshal e ela sendo conduzidos a um templo xintoísta em Kyoto, o ancestral Kuran com eles, olhando com carinho, embora parecendo preocupado...

Marshal sempre a olhava como se ela fosse uma deusa, talvez por isso sempre sentia aquela inquietante impressão de que ele se achava indigno dela...Ah, Marshall...Por que me deixou sozinha?, pensava a jovem enquanto caminhava e recordava as sensações e sentimentos daquele dia mágico.
Mas, com relutância, precisou se forçar a voltar ao presente. Sentia que estava próxima ao salão principal onde todos a aguardavam. Os passos se tornaram mais lentos à medida que seu coração se acelerava. Havia, podia sentir, uma grande quantidade de vampiros ali, muitos poderosos. A elite devia estar toda reunida para o casamento de filho de seu líder. Sentiu-se intimidada. Selena deixara bem claro o que eles pensavam de mestiços...ainda que ela estivesse diferente agora, o que pensariam dela? E por que se importava?

Chegou, enfim, às grandes portas de madeira de lei já abertas como se a esperassem, dando passagem ao salão feericamente iluminado e decorado, repleto de convidados. Uma espécie de palco ao fundo com a familia Yuriev onde se realizaria a cerimônia já ocupado. Parecia que só faltava mesmo ela. Sentia que Ele já estava lá antes mesmo de vê-lo. Seu coração acelerou ainda mais.
Parou no limiar. Viu Selena que a recebera e preparara e um vampiro de cabelos longos e barbas brancas com um olhar sisudo e uma aura extremamente cruel e intimidadora. Devia ser o Eleazar Yuriev, o pai de Yan. Só o conhecia das lembranças de Yan que vira em seu sangue e preferia que tivesse continuado assim...
Então o viu...Estava lindo em um exótico traje típico, tão digno e majestoso como um rei...Mas assim, como ela, ele não parecia nada com um noivo feliz...Sua expressão dura a intimidou e magoou, mas o que esperava? Um pouco mais abaixo, próximo aos pais, estava a irmã dele, Ruri...Em adiantado estado de gravidez...Então, os rumores eram verdadeiros...Chocada, Tohru levou a mão à boca, num ofego discreto.
 
Sua vontade era dar era dar meia volta e sair correndo dali...Por que toda aquela farsa? O que estava fazendo ali? Pela expressão dele não era com ela que ele queria se casar...era tudo política...Sentiu um forte enjôo a esse pensamento...Sempre política...


Uma bela marcha nupcial se fez ouvir e todos os olhares se dirigiram para ela. Não havia saída...O jeito era seguir em frente com toda a graça e dignidade de que pudesse dispor e era isso que faria. Hora de entrar em cena. Pelos seus filhos deveria encenar bem seu papel.


Segurando firme o bouquet de rosas azuis, seguiu, graciosa e leve como um cisne deslizando por um lago, atravessando a distância que a separava do noivo, sem tirar os olhos dele.
Desde aquele fatídico sonho, depois de se encontrar à beira da morte, ela se lembrava de quem havia sido para ele no passado e desejou que ele pudesse se lembrar também...Que pudesse reconhecê-la...Pensar que daquela vez poderia ter sido tudo diferente e a maldição podia ter sido quebrada. Se ele tivesse seguido o próprio coração até o fim, mas aquele vampiro ruivo aparecera e a matara...
Conforme se aproximava de Yuriev, as estrofes de uma certa canção repetiam-se em sua mente, substituindo a marcha nupcial.

Love never dies,
Love never alters,
Hearts may get broken,
Love endures...
Hearts may get broken.



_ Estou aqui.- foram suas palavras ao chegar junto dele.


               Tohru e Kyoshiro
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MensagemAssunto: Re: Valeriu Mihaela   

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